A Estátua da Liberdade é um dos monumentos mais facilmente reconhecidos em todo o planeta. Provavelmente, aquilo que mais carateriza a estátua, depois da coroa e a tocha, talvez seja o seu tom esverdeado.

Mas a estátua não foi sempre dessa cor. Conforme um vídeo divulgado pela American Chemical Society, a cor original da Estátua da Liberdade foi substituida desde que ela foi dada como presente aos Estados Unidos pelos franceses, em 1885. Originalmente, a estátua tinha um tom de cobre.

“Nas suas primeiras décadas em Nova Iorque, a estátua lentamente passou de uma cor de cobre brilhante para um marrom enfadonho e, finalmente, para o azul-verde que vemos hoje”, explica o vídeo, que pode assistir no Youtube, em inglês.

Durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, a França aproximou-se do país que procurava a liberdade da Grã-Bretanha. Para honrar o bom relacionamento entre as duas nações, os franceses decidiram dar um presente especial aos americanos. O escultor Frederic-Auguste Bartholdi, então, esculpiu a estátua que recebeu o nome de “A Liberdade Iluminando o Mundo”, ou Estátua da Liberdade.

A estátua chegou ao porto de Nova Iorque em 19 de junho de 1885, distribuída em 350 peças guardadas em 214 caixotes diferentes. Aqui, foi montada sobre uma base construída pelos próprios americanos. Desde então, o monumento de 92,9m de altura (sendo 46,9m da base e 46m da estátua propriamente dita) tornou-se um forte símbolo de liberdade em todo o mundo.

Quando foi construída na França, a estátua foi construida com centenas de folhas de cobre distribuídas sobre suportes de aço. A estrutura de sustentação interna foi pensada e desenvolvida por Gustave Eiffel, que mais tarde utilizou a mesma estratégia para projetar a torre que leva o seu nome, em Paris.

Na época, a Estátua da Liberdade apresentava uma cor muito mais próxima dos tons de marrom, refletindo a cor natural das placas de cobre utilizadas. Ao longo dos 30 anos seguintes, ela passou a adquirir o tom esverdeado que podemos conferir hoje em dia.

Mas o que aconteceu? Houve algum truque? Não! Na verdade, tudo não passa de ciência. O processo natural de oxidação aconteceu quando as moléculas de água e ar reagiram com os componentes das placas de cobre.

Não foi apenas uma reação que causou a mudança de cor que gerou o tom singular, mas uma combinação de diferentes reações ao longo dos anos, resultado da união de oxidação e poluição do ar.

A primeira mudança de cor aconteceu quando o cobre da estátua começou a reagir com o oxigênio do ar. Com a liberação de elétrões do cobre para o oxigênio, foi gerado o óxido cuprita, mineral que possui tom avermelhado. Depois disso, a cuprita também sofreu um processo de oxidação, formando um novo mineral conhecido como tenorita, de cor preta. Assim, a estátua ficou mais escura. Porém, o processo não terminou aí.

O óxido de cobre dissolve-se em ácidos minerais tais como o ácido sulfúrico, que misturado com a água da atmosfera começou a produzir a cor da estátua que conhecemos hoje. Cloretos libertados pelo mar também se juntaram ao processo, fazendo com que a estátua ficasse ainda mais esverdeada.

A estátua tem se mantido com esta cor durante mais de 100 anos porque o cobre exposto ao ambiente já conseguiu se estabilizar quimicamente. Por isso, é provável que a cor se mantenha, já que o material foi completamente oxidado. Ainda assim, por trás da camada visível, é possível encontrar o bronze original.

Quando organizações sugeriram que a cor original fosse restaurada, o público protestou, já que o tom esverdeado e azulado já se tornou icônico para a estátua.

Fonte: IFLScience

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