Está na hora de colocar um rosto feliz, pois o seu sucesso pode depender disso, pelo menos é o que sugere um estudo realizado por investigadores de psicologia na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Toronto.

O estudo revelou que as pessoas conseguem com segurança identificar se alguém é mais rico ou mais pobre do que a média apenas através da análise do rosto “neutro”, sem qualquer expressão.

As pessoas utilizam também essas impressões de forma tendenciosa, como julgar as faces daqueles que são ricos de forma mais vantajosa do que as demais atribuindo-lhes, por exemplo, um emprego, afirma o artigo do professor associado Thora Bjornsdottir no Journal of Personality and Social Psychology.

“Isso indicar que algo tão subtil como os sinais na sua face sobre a sua classe social pode, na verdade, influênciar as decisões dos demais”, afirma Bjornsdottir. “Essas primeiras impressões podem tornar-se uma espécie de profecia auto-realizável. Ela irá influênciar as suas interações e as oportunidades que terá”.

Curiosamente, os investigadores descobriram que a capacidade de ler a classe social de uma pessoa apenas se aplica ao seu rosto neutro e não quando as pessoas estão a sorrir ou a expressar emoções.

A conclusão dos cientistas é que as emoções mascaram hábitos de expressão de toda a vida que se tornam gravados no rosto de uma pessoa, como a felicidade frequente, que é estereotipicamente associada a ser rica e satisfeita.

“Com o tempo, o seu rosto vem refletir e revelar as suas experiências permanentemente”, afirma Rule. “Mesmo quando pensamos que não estamos a expressar algo, as relíquias dessas emoções ainda lá estão”.

Utilizando como referência o rendimento anual de uma família média em cerca de 75 mil dólares, os investigadores agruparam voluntários entre aqueles com rendimentos familiares totais inferiores a 60 mil dólares ou acima de 100 mil dólares e tiraram fotografias como faces neutras.

Posteriormente, pediram a um grupo separado de participantes que analisasse as fotos e, usando nada além do seu instinto, decidem quais eram os “ricos ou os pobres” apenas através da análise dos rostos. Estes conseguiram determinar quais pertenciam ao grupo rico ou pobre com cerca de 53% de precisão, um nível que excede a probabilidade aleatória.

“O que estamos a visualizar é que os voluntários com idades entre os 18 e 22 anos já acumularam experiência de vida suficiente que mudou visivelmente e moldou o rosto até o ponto em que é possível dizer qual é a sua posição socio-económica ou classe social”, afirma Rule.

Os resultados não foram afetados pelas raça ou gênero do rosto, ou quanto tempo as pessoas foram dadas para estudá-los. tudo o que é consistente com o que é conhecido sobre o comportamento não verbal.

“Há neurónios no cérebro que se especializam no reconhecimento facial. O rosto é a primeira coisa que analisa quando olha para alguém”, afirma Rule.

“Nós vemos rostos em nuvens, vemos rostos em comida. Parece que nos é inerente esta procura por rostos em todo o lado e é isso que as pessoas captam muito rapidamente. Para além do mais os resultados são consistentes, o que o torna estatisticamente significativo.”

“As pessoas não estão conscientes de quais os indícios que estão a utilizar quando efetuam esses julgamentos”, afirma Bjornsdottir. “Se perguntar qual a razão, eles não vão saber responder. Não é algo que es faça conscientemente.”

O estudo das classes sociais como um ramo da psicologia e do comportamento está a obter cada vez mais reconhecimento, afirma Rule. E com 43 músculos concentrados numa área relativamente pequena, as pistas faciais são uma das áreas mais intrigantes neste campo.

O estudo não irá parar por aqui, pelo que o próximo passo será a análise com grupos de pessoas com mais idade, pois tal poderá atribuir mais pistas sobre esta questão dos padrões faciais.

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