Os violinos construídos pelo fabricante de violinos italiano Antonio Stradivari (1644?-1737) têm uma especial mágia no mundo da música clássica. Estes violinos ficaram muito notários depois de, em 2011, um comprador anónimo pagar a quantia recorde de 15,9 milhões de dólares por um violino chamado “Lady Blunt”, nome de Lady Anne Blunt, uma das suas anteriores proprietárias – que foi considerada pelos especialistas como a segunda melhor preservada das criações de Stradivari. E quanto a Stradivarius mais bem preservado? Apontado como “o Messias”, ele descansa no climpa temperado do Ashmolean Museum em Oxford, Inglaterra, recebendo o tipo de atenção curatorial e cuidado reservado para obras de arte preciosas.

Dos mais de 1.200 instrumentos construídos por Stradivarius ao longo da sua carreira de 60 anos, cerca de 500 ainda estão hoje em circulação. A maioria são violinos, mas também existem violas, violoncelos, guitarras e harpas. Antonio foi creditado com várias inovações de design e refinamentos que ajudaram a trazer o violino à sua forma moderna. Stradivarius foi considerado um mestre artesão no seu próprio tempo e nas décadas que se seguiram, mas a sua reputação como melhor dos melhores solidificou-se apenas no início do século XIX, quando os concertos de violino ficaram cada vez amis famosos nas grandes salas de espetáculos.

Não é surpresa que os instrumentos de Stradivarius sejam procurados pelo seu valor histórico, para não mencionar na sua beleza estética. O que é surpreendente, pelo menos para os não músicos, é que muitos violinistas e outras pessoas no mundo da música clássica consideram os violinos de Stradivarius como sendo musicalmente superiores aos novos instrumentos. Aqueles que têm oportunidade de tocá-los falam dos violinos como tendo brilho, profundidade e caráter diferente de qualquer outra coisa. Mas é realmente possível que, apesar da nossa moderna magia tecnológica, ainda não tenhamos sido capazes de criar instrumentos que soem melhor do que os que foram construídos nos séculos XVII e XVIII?

Na verdade, músicos e cientistas ainda procuram uma explicação do que torna um Stradivarius especial. As primeiras teorias tendiam a concentrar-se no verniz – talvez Stradivarius tivesse acrescentado algum tipo de ingrediente secreto -, mas análises químicas realizadas nos anos 2000 não revelaram nada de incomum na composição do verniz. Outra linha de investigação centrou-se na própria madeira. Os cientistas levantaram a hipótese de que o clima mais frio da Pequena Idade do Gelo (1300-1850) pode ter sido um factor, já que teria poderia ter causado o crescimento mais lento das árvores de abeto alpino usadas para a zona central do violino, tornando a madeira mais densa e produzindo melhor som. Mais recentemente, os cientistas descobriram que algumas das madeiras utilizadas por Stradivarius para violinos foi tratado com vários produtos químicos, incluindo alumínio, cálcio e cobre, que pode ter alterado as suas propriedades acústicas.

Outro grupo de investigadores e fabricantes de violinos decidiram examinar a possibilidade de que a superioridade dos instrumentos de Stradivarius  possa ser uma ilusão. Poderia ser que a mística de Stradivarius tivesse condicionado os músicos e ouvintes do violino a esperarem um grande som desse instrumento e que essa expectativa tivesse influenciado as suas avaliações subjetivas do som?

Efeitos psicológicos similares foram demonstrados em testes em que os músicos estavam vendados. Vários testes foram realizados pelos investigadores, em que pediram aos músicos que tocassem violinos antigos – incluindo vários de Stradivarius – contra novos instrumnetos de alta qualidade e classificassem as suas preferências. Os resultados chocaram muitos dos participantes e serão garantidamente controversos durante décadas: alguns dos novos instrumentos foram escolhidos como sendo os melhores.

 

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