Em 1975, George Lucas estava a gerir as audições para o seu novo filme de ficção-científica The Star Wars (o nome foi alterado posteriormente para Star Wars). Depois de uma audição conjunta com Brian De Palma, que estava a procurar atores para o seu novo filme de terror Carrie, Lucas conseguiu fazer audição a alguns dos atores principais deste filme. Lucas escolheu dois jovens atores que estavam a iniciar a carreira, Carrie Fisher e Mark Hamill, bem como um amigo de um anterior filme, American Graffiti, Harrison Ford, para retratar as três personagens principais: Princess Leia, Luke Skywalker e Han Solo. Mas estes foram escolhas fáceis, aqueles que não eram exigido especiais características corporais. Para outros duas personagens principais, R2-D2 e C-3PO, Lucas decidiu ir a Londres para ver se conseguia arranjar alguém para o papel.

Anthony Daniels nunca foi um fã de ficção-científica. Na verdade, o único filme deste género que viu foi Kubrick’s 2001: A Space Odyssey. Ele ficou tão insatisfeito que acabou por sair após 10 minutos de filme e exigiu o dinheiro de volta. Como um ator clássico em Londres, ele foi utilizado no palco para retrar um ator Shakespeariano ou um nobre inglês melodramático. Os seus pais queriam que ele fosse advogado, mas quando Anthony disse-lhes que o seu verdadeiro sonho era ser ator, criou uma enorme onda de discordância na família.

Quando a oportunidade chegou, para fazer uma audição para George Lucas, e ser uma das principais estrelas de The Star Wars, Daniel exitou em aceitar. Ele não sabia muito sobre Lucas e queria ser um “ator sério”. Posteriormente, foi apresentado a Daniel os desenhos conceptuais por Ralph McQuarrie do famoso e icónico robõ, C-3PO. Fortemente influenciado por um famoso clássico de ficção-científica de Fritz Lang, Metropolis, Daniel começou a ganhar alguma motivação e desejo por interpretar tal personagem. Ele “apaixonou-se pela personagem” e depois de ler o roteiro, Daniel decidiu que queria interpretar C-3PO.

Convencer Lucas a contratá-lo, no entanto, foi um desafio. Lucas acreditava inicialmente que o C-3PO deveria falar com um “forte sotaque americano”. Mas Lucas cedo percebeu que o sotaque inglês, como o que tinha Daniel, acompanhava na perfeição o ceticismo de C-3PO na perfeição. Lucas encontrou, assim, o homem que iria dar vida ao robõ dourado que iria ajudar o Jedi a salvar o universo Star Wars.

Kenny Baker ficou cético quando foi chamado para comparecer nos estúdios da Fox para conhecer um jovem diretor conhecido pelo nome de George Lucas. Baker tinha formado uma pareceria de comédia com um outro ator, Jack Purvis, e os dois estavam a ter sucesso. Tanto Baker como Purvis eram atores de “baixa estatura”e autodesignavam-se de “Mini Tones”. Eles estavam juntos à mais de 10 anos e as suas carreiras estavam a começar a descolar.

Começando com um perfomer de circo, Baker ficou muito excitado por ser apreciado como ator e comediante, e não apenas pelo seu tamanho. Assim, quando Baker entrou na audição, ele estava à espera de recusar o papel. Mas George Lucas precisava que ele interpretasse o R2-D2. Como um adulto que media apenas 1,12 metros, Baker era baixo o suficiente para conseguir inserir-se no fato de robõ e forte o suficiente para conseguir operar o equipamento pesado que uma criança não conseguiria.

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Devido à hesitação inicial de Baker, Lucas disse-lhe para que nomeasse um preço. Portanto, Baker pediu cerca de 800 libras por semana (cerca de 7,810 dólares), aproximadamente aquilo que ele iria ganhar com Purvis. Lucas rapidamente aceitou.

Tanto Daniel e Baker não tinham desejo imediato de gravar Star Wars. Devido à natureza complexa dos seus papéis, eles tinham dificuldades em reagir e interagir com os colegas atores. Apresentavam dificuldades em efetuar movimentos simples, como subir escadas e até respirar corretamente.  Adicionando o facto de que a temperatura alcançava os 40,55ºC.

Apesar de ambos apreciarem a quantidade de dinheiro, fama, e adoração dos fãs que vinha com a interpretação dos dois robõs, por vezes era difícil de ser os preferidos de Luke Skywalker. Durante uma entrevista no ano de 2000, Baker disse: “Não havia muitos pontos altos em ser R2-D2; Em simplesmente estava lá, no robõ. Não consigo lembrar-me de nenhum momento alto ou baixo, era simplesmente um trabalho.”

Numa entrevista em 1995, Daniel explicou como se sentia com o fato colocado:

“Durante alguns dias, demorava cerca de 1h30 para alinhar os 3 parafusos que mantinham as duas partes da cabeça juntas. Não consegue imaginar como me sentia. Parecia estar dentro de um cubo de Rubik com pessoas no exterior a gritar ordens e instruções.”

Apesar de serem apenas os dois atores a aparecer em todos os 6 primeiros episódios de Star Wars e para sempre lembrados na história da cultura pop, ficou bem documentado que Daniel e Baker nunca se davam bem. Numa entrevista em 2009, Baker disse que pensava originalmente que era apenas ele que Daniel não gostava, mas “a verdade é que ele não se dava com ninguém.”

Apesar do filme demonstrar um amizade inquebrável, eles raramente se falavam durante as filmagens. “Nós estavamos dentro dos nosso robõs: não havia intercomunicação de todo. Não conseguiamos ver ou ouvir um ao outro.”, disse Baker numa entrevista.

Com a Disney a querer produzir novos filmes de Star Wars, tanto Daniel como Baker expressaram interesse em continuar. Daniel continou a retratar C-3PO no filme Force Awakens de 2015 e no Episódio VIII de 2017. Quanto a Baker, iria continuar a atuar, mas por razões não declaradas não o fez e foi apenas listado como “consultor”. Terá sido possivelmente a sua saúde, que esteve a deteriorar-se ao longo dos anos. Ele acabou por falecer a 13 de Agosto de 2016, com idade de 81 anos. O ator Jimmy Vee ficou com o papel do Episódio VIII.

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