O Alberto sempre foi uma coruja norturna. Para ele dormir é algo complicado antes da meia-noite, apesar de o seu trabalho exigir que acorde de manhã cedo. É um ciclo que faz com que Alberto aperte vezes sem conta o botão do snooze, ficando ele apenas com tempo suficiente para tomar banho, pegar as chaves do autómovel e apressar-se para o trabalho numa corrida cíclica contra o tempo. Quanto ao pequeno-almoço, isso é algo que se torna a cada dia um previlégio ocasional apenas saboreado aos fins-de-semana e em raras folgas. Para compensar, ele enche-se ao almoço e, depois de fazer exercício quando sai do trabalho, efetua um equilibrado jantar.

Na maior parte das vezes, Alberto faz uma ceia composta por porções saudáveis de peito de frango ou outras carnes brancas, acompanhado com muita salada e outros vegetais. Faz tudo parte do seu plano para perder peso, algo que tem andado a trabalhar faz algum tempo. Quando os ponteiros do relógio se alinham às 00:00h a sua decisão fica sem efeito. Quando ele deveria estar a preprar-se para a cama, a fome de Alberto manipula-o a vasculhar os armários e tudo parece apetitoso; tigelas cheias de cereais – pequenas bombas de açúcar -, restos da pizza que comeu ao almoço quando saiu à pressa para o trabalho no anterior e um conjunto de bolachas de chocolate para completar a dose.

Pode esta rotina levar ao aumento de peso de Alberto? Infelizmente, sim. Segundo um estudo  efetuado pela Universidade de Northwestern, os participantes que comiam depois das 8 horas da noite, tinham um maior índice de massa muscular. Apesar destas escapadinhas à cozinha depois daquela hora não parecer aumentar significativamente as calorias, a verdade é que pode ser tão ou pior do que nas demais horas. Após a correção de várias variáveis no estudo, como o nível de atividade e saúde, os investigadores atribuíram o aumento calórico ao facto de petiscarem depois das 8 horas da noite. Parte do problema, pensaram, é que as pessoas que apenas adormecem até tarde, como o Alberto, ficam acordados por uma maior quantidade de tempo entre o jantar e a hora de ir dormir. Isto é mais que suficiente para que o jantar seja completamente digerido pelo organismo e a fome comece a se manifestar.

Comida

Apesar das descobertas, no entanto, existem outras práticas que não estão associadas a este padrão – de comer depois das 8 horas da noite – que aumentam consideravelmente o peso. Por exemplo, os europeus comem depois da hora de jantar mas não possuem tantos problemas de obesidade como por exemplo os Estados Unidos [veja-se: Goodman].

Um facto importante que contribui para as escapadinhas para a cozinha àquelas horas são as insónias. Investigadores da Universidade da Columbia estudaram os efeitos desse fenómeno em 26 homens e mulheres com peso normal. Metade dos participantes dormiram 4 horas por noite durante 6 noites. A outra metade dormiam 9 horas por noite pela mesma quantidade de dias. Depois os grupos alteraram os seus padrões de sono. Descobriu-se que, não interessa o horário em que estavam, quando os participantes podiam comer aquilo que queriam nada os parava. As descobertas revelaram que quando os participantes ficaram privados do sono, eles comiam mais cerca de 300 calorias a mais do que quando não estavam. Algo interessante foi que esse aumento de calorias deveu-se ao consumo de outro tipo de comida que não consumiam no durante o dia como fast food ou chocolates.

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