A teoria de que a crença no efeito de um medicamento influencia o seu poder não é algo novo, sobretudo se verificarmos os inúmeros estudos sobre o famoso “efeito placebo” que são amplamente efetuados em todo o mundo. No entanto, um grupo de investigadores de Harvard afirmam ter comprovado exatamente o quanto da potência de medicamentos é influenciada pelo cérebro: pelo menos metade.

O estudo foi realizado com dois grupos de pacientes que estavam a sofrer devido a fortes enxaquecas. Quando a primeira metade tomou o medicamento falso acreditando ser um famoso remédio curativo, eles relataram basicamente a mesma redução de dor do que a outra metade dos participantes que ingeriram o medicamento verdadeiro julgando que era um placebo.

“Não houve diferença entre a farmacologia do medicamento ao reduzir a dor e o medicamento falso disfarçado com palavras positivas”, disse um dos autores do estudo. “Basicamente comprovamos que os termos usados podem duplicar os efeitos dos remédios”, acrescentou.

Estudo do fenómeno

Os resultados possuem implicações interessantes tanto para os médicos quanto para os pacientes, porque o que os especialistas dizem sobre um medicamento parece influenciar consideravelmente os seus benefícios. O estudo levanta ainda a questão de se as fabricantes deveriam tomar em consideração as expectativas do público quando testam um novo remédio – pergunta que ajuda a enteder por que empresas farmacêuticas financiaram a investigação.

Entre as descobertas do grupo estão que o placebo rivaliza os efeitos do medicamento em pacientes com asma, que pessoas com problemas intestinais sentem melhorias mesmo quando sabem que estão a ingerir medicamentos falsos e que sujestões subliminares podem ativar respostas de placebo.

Porquê enxaquecas?

A escolha das enxaquecas como objeto de estudo serviu para facilitar o esclarecimento dos efeitos das expectativas dos pacientes. “Este tipo de dor é o ideal [para a investigação]. Não consigo pensar noutra situação em que uma doença real acontece, desaparece e depois volta novamente”, afirmou um dos cientistas. Tal característica permitiu que o grupo comparasse as respostas dos pacientes entre si ao presenciar sete ataques sucessivos em 66 participantes.

Outra vantagem é que há um medicamento verdadeiro contra enxaquecas, conhecida como rizatritan ou Maxalt, que comprovadamente apresenta resultados superiores ao dos medicamentos falsos. Os pacientes foram instruídos a não tomar qualquer medicamento findo o seu primeiro ataque e receberam seis comprimidos para ingerir nas vezes seguintes.

Dois dos envelopes que continham o medicamento vinham com a inscrição “Maxalt”, dois diziam que podia ser o remédio verdadeiro ou um placebo e dois afirmavam que dentro havia um remédio falso. Os participantes então descreveram a intensidade da dor duas horas após tomarem cada medicamento.

Subjetividade

Os pacientes que não tomaram qualquer um dos medicamentos reportaram um aumento de 15% da dor, enquanto os que ingeriam o placebo corretamente rotulado afirmaram sentir 26% menos dores. Os que consumiram Maxalt afirmaram sentir-se 40% melhor, enquanto os que usaram o remédio que poderia ser qualquer um dos dois também apresentaram 40% menos dor.

Os investigadores acreditam que estes resultados podem estar associados a uma maior subjetividade em “sentir menos dor” do que em “estar totalmente livre” do incómodo. Enquanto que afirmar se a dor está ou não menor é algo que depende da sua opinião, estar livre dela é uma questão de sim ou não”, concluíram.

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