A celebridade americana Kim Kardashian foi assaltada esta semana (03/10/2016) em Paris. Mas a discussão sobre o caso foi muito além das joias roubadas ou detalhes da ação dos ladrões.

Algumas autoridades francesas estão a afirmar que o assalto pode ter enormes repercussões no turismo na capital francesa, já prejudicado depois dos atentados do ano passado.

“Podemos fazer todas as publicidades imagináveis para atrair turistas a Paris, isso acaba de ser brutalmente anulado com o caso da Kardashian”, afirmou Nathalie Kosciusko-Morizet, candidata às primárias do partido Les Républicans.

Já a presidente da câmara da capital francesa, Anne Hidalgo, rebateu as críticas em comunicado: “Esse ato raríssimo, ocorrido num local privado, não coloca em dúvida o trabalho da polícia nem a segurança no espaço público parisiense”, afirmou.

“Utilizar o caso para fomentar polémicas é prejudicar o setor do turismo e os 500 mil empregados que ele representa na região”.

Milhões

Cinco homens armados e disfarçados de policias invadiram, por volta das 3h em Paris, o discreto hotel de luxo no bairro de Madeleine, onde a celebridade estava hospedada.

Os ladrões entraram no quarto de Kardashian e roubaram milhões de euros em joias.

Mãe de Kim Kardashian, Kris Jenner

Kardashian, que prestou depoimento à polícia, estava a dormir no momento do ataque e foi acordada com uma arma apontada à cabeça. Depois, foi amarrada e trancada na banheira da suíte.

Assessoras afirmaram ela estava muito abalada, mas que não havia sofrido nenhum dano físico.

De acordo com a imprensa francesa, as joias roubadas valeriam 9 milhões de euros. Uma das peças seria o seu anel de casamento, no valor de 4 milhões de euros.

A Secretaria de Segurança Pública da capital francesa confirmou que o roubo foi estimado em “vários milhões de euros, referentes principalmente a joias, mas o valor total ainda está a ser avaliado”. A polícia está a investigar o caso.

O roubo ocorre apenas uma semana após a presidente da câmara ter lançado uma campanha publicitária para promover a capital francesa – com custo de 300 mil euros, financiando em grande parte pela iniciativa privada.

Outras ações, deste tipo já haviam sido realizadas nos últimos meses, numa tentativa de reverter a queda no número de turistas na cidade – o medo relacionado à segurança são apontados como os principais vilões desse cenário.

“Podemos trazer todas as publicidades possíveis para atrais turistas a Paris, mas isso acaba de ser anulado devido ao caso da Kardashian”, afirmou a deputada Nathalie.

O número de turistas americanos, a principal nacionalidade em relação ao total de visitantes neste ano, já havia caído quase 6% no primeiro semestre de 2016, segundo dados do Comité Regional do Turismo (CRT) de Paris e da região Île-de-France, que inclui a cidade e os seus arredores.

Nos primeiros seis meses deste ano, houve uma queda de 1 milhão no número de turistas em Paris (de todas nacionalidades) em comparação a igual período de 2015, segundo a CRT.

As principais quebras ocorreram em relação aos turistas alemães (-19%) e chineses, com uma redução de 11%. Os chineses são os turistas que mais gastam em Paris, principalmente nas lojas de luxos.

Kim entre sua mãe e sua irmã

Kim entre sua mãe e a irmã

Até agosto, a queda no número de turistas implica na perda de 1 bilião de euros nas receitas do turismo parisiense, ainda segundo o CRT.

A previsão, caso a tendência não se inverta, é a de que o setor do turismo sofrerá um recuo de 1,5 mil milhões de euros no faturamento de 2016.

Turismo asiático

“Observamos uma queda intensa no número de turistas asiáticos. Algo jamais visto”, afirma Valérie Pécresse, presidente do conselho regional da Île-de-France.

Turistas asiáticos são os que mais temem problemas de segurança. Inúmeros chineses, conhecidos por carregar grandes quantias de dinheiro vivo, já foram vítimas de assaltos na cidade.

Muitos hóteis em Paris registaram neste ano uma queda na ocupação que ultrapassa 10 pontos porcentuais. O luxuoso hotel Plaza Athénée teve fechar dois andares no mês de agosto, tradicionalmente época de alta estação, por falta de clientes.

Guias turísticos, barcos de passeio pelo Sena, donos de restaurantes e lojistas têm se queixado frequentemente devido à falta de turistas.

Para além disso, roubos em joalherias de luxo ocorrem com frequência na França nos últimos anos, cometidos por quadrilhas internacionais especializadas. Há suspeitas de que seria o mesmo tipo de grupo armado que teria roubado Kardashian.

Comentários

You need to login or register to bookmark/favorite this content.

Bookmarked By