O calor escaldante que se faz sentir nas profundezas da Terra é o que mantém o planeta a “funcionar” – movendo as placas tectónicas, causando grandes erupções vulcânicas e movendo o campo eletromagnético da Terra.

Os cientistas há muito questionam a quantidade de energia que resta no nosso planeta atualmente, depois de 4,6 mil milhões de anos desde a criação deste planeta rochoso. Mas agora, um grupo de investigadores alega possuir a resposta para esta questão. Ao determinarem a quantidade de energia que resta na Terra, os cientistas esperam uma melhor compreensão dos blocos de construção do planeta e os seus procesos de gastos de energia.

Quando toda essa energia for gasta, isso significa que a Terra vai “morrer”, no sentido em que a lua está “morta”, visto que não terá energia para a transferência de calor convectiva para o manto, vulcanismo e outros processos planetários.

Estes processos planetários executam dois tipos de energia: energia primordial, que é o calor que restou da formação violenta da Terra, e energia nuclear, que é o calor produzido durante o decaimento radiotivo natural da Terra.

Energia da Terra

Segundo o comunicado de William McDonough, um dos autores do estudo e professor de geologia na Universidade de Maryland, Estados Unidos, a sua equipa está atualmente num campo de suposições e neste ponto da sua carreira, McDonough não se importa se estará certo ou errado, ele apenas quer ter a resposta certa para esta questão.

Em 2022, os cientistas esperam ser capazes de detectar, pelo menos, 536 eventos antineutrino por ano em cinco detectores subterrâneos.

Mas como McDonough e a sua equipa irão enfrentar o problema? Como vem a ser feito em estimativas anteriores, os cientistas vão medir os geoneutrinos da Terra, ou os parceiros de antimatéria de neutrinos – partículas subatómicas “fantasmas” que passam diretamente através da Terra (matéria) sem serem, relativamente, alterados. As partículas antineutrino são subprodutos de reações nucleares, resultantes do decaimento radioativo de elementos como o tório e urânio.

Estas partículas podem revelar aos investigadores como muitos átomos de urânio e tório são no interior da Terra. Sendo assim, os investigadores saberão quanto radioatividade potencial existe. Sabe-se que a Terra irradia 46 terawatts de calor, ou carga, então será possível determinar quanto há de energia nuclear. Essa diferença equivaleria ao que resta da energia primordial.

Investigadores anteriores já haviam demonstrado que estes elementos radioativos que, sozinhos, produzem calor, não são suficientes para explicar os 46 terawatts de calor que a Terra irradia. Portanto, alguma energia primordial residual deverá estar presente. Determinar a quantidade de energia que resta de ambas as fontes também irá oferecer uma visão sobre como a Terra está a queimar combustível, revelando quanto foi consumido no passado e quanto ainda pode ser consumido no futuro.

McDonough explica que existem dois medidores de gás – um de energia primordial e outro de energia nuclear. Se temos muita energia nuclear, significa que usamos a nossa energia primordial. Se temos pouca energia nuclear, significa que utilizamos a nossa energia primordial.

O cientista diz, ainda, quea quantidade de combustível que resta na Terra pode ser a diferença entre o planeta continuar a funcionar durante 5 mil milhões de anos ou 10 mil milhões de anos. Quando o combustível esgotar, o planeta vai, essencialmente, “morrer”, já que os seus processos planetários não funcionarão.

Terra nucleo

Os detetores utilizados para encontrar partículas antineutrino são cada um do tamanho de um pequeno edíficio de escritórios, situado a cerca de um quilómetro e meio no subsolo. Estes neutrinos são identificados dentro do detetor quando as partículas colidem com um átomo de hidrogénio, criando duas luzes características. Existem atualmente duas dessas instalações de deteção – uma no Japão e outra na Itália – que registam apenas cerca de 16 colisões por ano. Três novos detetores – um no Canadá e outros dois na China – são esperados para entrarem em operação em 2022.

Assim que três anos de dados de antineutrino forem recolhidos de todos os cinco detetores, os investigadores estão confiantes de que terão desenvolvido um medidor de combustível exato para a Terra, e serão capazes de calcular a quantidade de combustível restante no interior do planeta.

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