Apesar dos mais de 1 milhão de turistas que movimentaram, segundo a Riotur, cerca de 4,1 mil milhões de reais durante os Jogos Olímpicos, os impactos económicos deste evento para a cidade e o Estado do Rio de Janeiro foram mínimos, de acordo com especialistas ouvidos pela BBC.

Além desta questão, os especialistas apontaram para a possibilidade de que o Rio peça mais ajuda à União para pagar parte dos 40,1 mil milhões de reais gastos com a Olímpiada.

Parque Olímpico do Rio

Num balanço divulgado por Eduardo Paes, prefeito do Rio, e pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, os jogos foram avaliados como um “enorme sucesso”.

Segundo os dados apresentados, 1,17 milhões de turistas passaram pelo Rio, sendo 410 mil estrangeiros, que gastaram em média 424,62 reais por dia, e 760 mil brasileiros, com gasto médio diário de 310,42 reais.

A maioria dos estrangeiros veio dos EUA (17%), Argentina (12%) e Alemanha (7%). Entre os locais, a maior parte dos visitantes é de São Paulo (43%), Rio Grande do Sul (9%) e Minas Gerais (7%). O movimento em bares e restaurantes, segundo os dados, cresceu 70% na Zona Sul do Rio, e a taxa de ocupação hoteleira fechou em 94%.

Apesar dos números, os especialistas avaliam que o impacto ecónomico é pequeno ou decepcionante.

 

Efeito Marginal

“Para o país, apesar das cidades que receberam jogos de futebol, o efeito económico positivo é muito marginal. Já no Rio pode haver um aumento de arrecadação de impostos com os gastos de turistas, mas são apenas duas semanas (de Olímpiadas), é algo muito localizado e pouco significativo”, afirma Otto Nogami, professor de economia do Insper.

Já Pedro Trengrouse, especialista em Gestão, Marketing e Direito da FGV, que foi consultor da ONU para a Copa do Mundo, considera um erro procurar retorno económico na Olímpiada.

“Procurar indícios de retorno económico para justificar a realização dos Jogos é um equívoco, já que são impactos muito superficiais ou até negativos. Houve quatro feriados no Rio, com efeito brutal sobre a atividade económica. Quanto a indústria e comércio perderam com isso? Na Copa do Mundo, registamos perdas no comércio e indústria com as paralisações”, avalia o especialista.

Para ele, o evento deve ser encarado como uma grande festa.

“A festa foi feita, e gastamos para organizá-la. Agora, procurar retorno económico da realização de uma grande festa é um equívoco, porque ele é muito marginal diante do que foi gasto”, concluí o especialista.

Custos, empréstimos e crise

Do total de 40,1 mil milhões de reais estimados como orçamento total dos Jogos Olímpicos, a metade é de origem privada (cerca de 23 mil milhões) segundo a Autoridade Pública Olímpica.

O Comité Rio-2016 arcou com 7,4 mil milhões de reais apresentados como tendo 100% de origens privadas. Ao longo dos preparativos, no entanto, áreas que eram de responsabilidade do comité, como segurança das arenas e garantia de fornecimento de energia elétrica no Parque Olímpico, foram repassadas ao governo federal. Ainda não há estimativas oficiais de quanto foi gasto com tal serviço.

Parque Olímpico

Para além disso, o comité recebou 270 milhões de reais em verbas públicas para ajudas as cerimónias de abertura e encerramento da Olímpiada e agora pede mais 270 milhões para “salvar” a Paralímpiada, gerando o que especialistas veem como um problema de gastos emergenciais, sejam eles custeados pelos cofres públicos ou por patrocínio de estatais (contabilizados pelo comité como verbas privadas).

A expansão da linha metro, de responsabilidade do Estado do Rio, foi financiada pelo BNDES e está avaliada em 9,7 mil milhões de reais. O setor privado também contraiu mais de 1 bilião em empréstimos para a construção do Parque Olímpico.

Quem vai pagar?

O governo estadual, que chegou a deixar de pagar salários, decretou estado de calamidade pública devido à crise económica e recebou 2,9 mil milhões de reais como doação da União na véspera das Olímpiadas.

“Quaisquer incrementos de arrecadação por conta dos Jogos e o repasse do governo federal são apenas um alívio temporário para o Estado do Rio. A longo prazo, sem reformas providenciais e redução dos custos com folha de pagamento, há grande probabilidade de o Estado precisar de mais ajuda federal para honrar os empréstimos”, afirmou Carlos Ramirez, diretor de finanças públicas internacionais da agência de rating de risco Fitch.

Para ele, o pior cenário para o Rio seria a manutenção do preço do petróleo em baixa e um recusa da União em voltar a socorrer o Estado, o que aprofundaria a crise.

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