As flores do vizinho são mais coloridas e, muitas vezes, estamos dispostos a fazer de tudo para que as nossas fiquem tão ou mais coloridas. Mas, qual a razão pela qual as conquistas alheias nos incomodam tanto?

A verdade é que muitas pessoas estão dispostas a ter prejuízo, com a condição de que alguém por perto também sofra. Esta afirmação tem como base um estudo realizado com 541 pessoas – destas 30% diziam-se estar dispostar a contentar-se com um prémio menor de uma rifa, se isso diminuísse as probabilidades de outra pessoa também ganhar.

O padrão comportamental de uma pessoa invejosa, que compara as suas conquistas com as dos outros e se sente melhor quando vê que alguma pessoa próxima está em desvantagem, é, na verdade, uma forma de motivação que faz com que os invejosos procurem consideração, justamente porque têm uma significativa falta de autoconfiança.Resultado de imagem para invejosos

Os invejosos são capazes de fazer com que as pessoas próximas tenham menos sucesso, mesmo que isso signifique diminuir as próprias vitórias. Todas estas conclusões foram deduzidas pelo autor do estudo, o professor Yamir Moreno, da Universidade de Zaragoza, na Espanha. O autor explica que estas revelações contrariam estudos anteriores, que defendiam a ideia de que os seres humanos são totalmente racionais.

De forma geral, segundo Moreno, as pessoas podem fazer parte de quatro grupos principais: otimistas, pessimistas, confiantes ou invejosos. Este último grupo, no entanto, é o mais popular, já que um em cada três pessoas pode ser considerada invejosa. Fora desses quatro padrões estão 10% das pessoas, que têm uma visão de vida que os investigadores designam de aleatória.

Estudos

Os voluntários da investigação participaram em alguns jogos que tinham como objetivo testar os níveis de cooperação de cada pessoa e a resposta dos participantes em relação a riscos e a jogadas individuais ou em grupo, sendo que cada escolha poderia alterar as recompensas do jogo: trabalhar em quipa rendia mais do que trabalhar individualmente.

Num jogo de caça, os voluntários recebiam bilhetes de rifas e tinham uma probabilidade de ganhar 40€: caçar veados recompensaria mais do que caçar coelhos, mas, se escolhessem caçar coelhos, os jogadores teriam a liberdade de caçar sozinhos e a garantia de ganhar um cupão para o sorteio do brinde.

Os invejosos escolheram caçar coelhos, pois não suportam a ideia de caçar veados com a ajuda de outra pessoa e sujeitar-se a ter um desempenho menor do que o do parceiro de caça, ainda que a recompensa, no caso dos veados, fosse maior. De facto, essa é uma lógica conhecida, que reconhecemos por experiência própria, por conhecermos alguém que atua dessa maneira ou por agir-mos como tal.

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