Por estranho que pareça, as plantas tomam decisões no seu dia a dia. É comum a associar escolhas, pensamento e inteligência ao cérebro, e por isso, podemos considerar que os vegetais e os animais mais simples são seres inferiores. Porém, alguns cientistas pensam de forma diferente. Stefano Mancuso é um deles e afirma que “a visão atual de inteligência – como o produto do cérebro, assim como a urina é dos rins – é uma enorme simplificação”. Um cérebro sem um corpo não é capaz de produzir nada inteligente.

Charles Darwin, que estudou as plantas durante décadas, já dizia que de alguma forma elas são conscientes e movimentam-se ou respondem a diferentes estímulos. Claro que a forma como as plantas lidam com os seus problemas é bem diferente dos animais, mas elas também tomam decisões interessantes.

Para suprir as suas necessidades energéticas, as plantas podem virar-se em direção ao sol ou ao menos crescer para onde tem mais luz, são capazes de atrair ou repelir animais através das moléculas químicas que produzem, as suas raízes procuram melhores lugares para obter água e evitar a salinidade e alguns estudos revelam que elas possuem mais sentidos que nós humanos.

De forma resumida, as plantas estão constantemente a analisar o ambiente, administrando os seus recursos e a calcular os riscos para continuar vivas.

Decidir sem um cérebro? É possível?

Ainda há muito para se descobrir, mas Stefano Mancuso aposta nas pontas das raízes como responsáveis. Ali, estão diversos sensores que percebem informações do ambiente e as analisa, como se fossem verdadeiros computadores. Além disso, investigadores examinaram essas partes das plantas e identificaram sinais muito semelhantes aos dos neurónios dos animais, além de essas serem as únicas partes das plantas em que já foi observada atividade elétrica sincronizada.

A vantagem aqui é que em vez de concentrarem tudo num único órgão como o cérebro, as plantas utilizam as raízes, que se conectam como a internet, para processar a informação. Para os cientistas, conectar e compartilhar informações dessa forma é vantajoso e aumentas as probabilidades de sobrevivência, pois mesmo que o vegetal perca grande parte das suas raízes, ainda é capaz de analisar o ambiente e “pensar” no próximo passo.

 

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