Nesta altura deveerá estar bem assente no leitor o quanto a temperatura aumentou nestes últimos anos. Na verdade, o ano de 2016 é bem capaz de ser o ano mais quente desde que à registo, aumentando cerca de 1,3ºC acima da média da era pré-industrial.

Esta situação coloca-nos perto dos 1,5ºC colocados como limite pelos legisladores internacionais para o aquecimento global.

Não é possível parar o aquecimento global”, afirmou Gavin Schmidt – cientista que estuda fenómenos meteorológcos e diretor do Instituto de Estudos Espaciais da NASA – ao portal Business Insider. “Tudo o que já aconteceu até agora está incorporado no sistema”.

Isto significa que se as emissões de carbono descessem amanhã para zero, continuariamos a ver as alterações climatéricas causadas pelos humanos durante séculos. E, como sabemos, as emissões não vão parar amanhã. Portanto o mais importante a fazer, de acordo com Schmidt, é abrandar as alterações climáticas o suficiente para que nos possamos adaptar sem danos mais graves.

Isto é como será a Terra nos próximos 100 anos, se não optarmos por energias renováveis:

Eu penso que a meta dos 1,5ºC  não é um objetivo de longo-prazo”, afirmou Schmidt. O investigador estima que iremos alcançar esse valor nos anos de 2030.

Mas Schmidt é mais otimista relativamente em ficar abaixo dos 2ºC – valor de temperatura que as Nações Unidas esperam evitar.

Digamos que ficamos entre esses dois valores. No final deste século, já estaremos a olhar para o mundo que é cerca de 3ºC acima da média daquilo que estamos a viver agora.

No entanto, as medias térmicas da superfície terrestre não são suficientes para captar as alterações climáticas. As anomalias – ou a alteração da quantidade de temperatura de uma determinada área se está a afastar daquilo que é o “normal” nessa região” – irão manifestar-se gravemente.

Por exemplo, a temperatura no Círculo Ártico, no passado inverno, subiram acima da média. Tais temperaturas foram extremamente quentes para a zona do Ártico. É anormal, e irá começar a verficiar-se com mais frequência.

Significa que anos como este, que tiveram a menor quantidade de gelo no oceano desde que há registo, tornar-se-ão comuns. Em 2050, o verão na Gronelândia poderá tornar-se sem gelo nos oceanos.

O ano de 2015 não se comparou a 2012, quando 97% do manto de gelo da Gronelândia começou a derreter no verão. Este fenómeno ocorre, normalmente, uma vez por século, mas é possível ver este derretimento extremo a cada 6 anos até ao final do século XXI.

O único lado positivo (ainda) é que o gelo na Antártida continuará relativamente estável, contribuindo pouco para elevação dos oceanos.

O melhor cenário que é pintado pelos investigadores é que os oceanos vão crescer cerca de 60 ou 90 centímetros até ao final do ano de 2100. Estas alterações são suficientes para desalojar cerca de 4 milhões de pessoas.

Os oceanos não só terão menos gelo nos pólos, como também irão ficar tóxicos nos trópicos. O oceano absorve cerca de 1/3 do dióxido de carbono na atmosfera, o que faz com que aqueçam e fiquem mais ácidos, tornando-se tóxicos para a vida marinha.

Se as alterações climáticas continuarem, praticamente todos os recifes de corais ficarão devastados. No cenário mais positivo dos especialistas, atualmente, metáde de todos os recifes de corais dos trópicos estão ameaçados.

Mas, os oceanos não são as únicas áreas a aquecerem. Mesmo que colocássemos um freio nas emissões, os verões nos trópicos podiam sobreaquecer até 2050. Mais a norte, 10% a 20% dos dias serão de intenso calor.

Em um estudo publicado em 2013, os cientistas utilizaram modelos em que estimaram que o mundo irá ver períodos de secas mais severas e mais frequentemente – um aumento de cerca de 10%. Se não for parado o aquecimento global, as alterações poderão chegar a 40% de toda a Terra (o dobro de atualmente).

Depois temos o tempo. Se o evento que trouxe o El Niño em 2015-2016 serve de alguma indicação, estamos a caminhar por uma rota que trás perigos e mais dramáticos fenómenos naturais. Extremas tempestades, fogos selvagens, entre outros eventos.

Neste momento a humanidade está a caminhar sobre um precipício. Não podemos ignorar os sinais e poluir todo o planeta.

Schmidt diz que é provável que cheguemos a 2100 com um planeta entre “um pouco mais quente do que hoje e/ou muito mais quentes do que hoje”.

Mas a diferença entre “um pouco” e “muito” à escala do planeta Terra é um entre milhões de vidas salvas… ou não.

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