Tal como todos os vicios,o alcoolismo é um complexo e enigmático problema, muitas vezes alimentado por uma combinação de causas que vai desde um trauma psicológico ou factores genéticos. Para investigar a conexão existe entre alcoolismo e o ADN, cientistas das Universidades de Purdue e Indiana analisaram o genoma de ratos alcoólicos e descobriram que o número de genes associados ao alcoolismo excede em larga medida as expectativas.

Apesar dos ratos não apreciarem o sabor ou os efeitos do álcool, há sempre algumas excepções em todas as populações, por isso os investigadores estiveram atentos a ratos que procuravam deliberadamente a bebida. Através da criação desses ratos ao longo de várias gerações, os cientistas conseguiram criar uma linha de roídores com um gosto natural para o álcool.

O trabalho foi publicado no Journal PLOS Genetics, e os investigadores revelaram como compararam o genoma de ratos alcoólicos aos que não o eram. No processo, eles conseguiram identificar 930 genes diferentes que aparentavam estar associados ao alcoolismo.

O problema não é apenas um gene”, explicou o co-autor do estudo William Muir em declarações, adicionado que “este traço é controlado por um vasto número de genes e de vastas redes. Esta descoberta, provávelmente, apaga a ideia do tratamento do alcoolismo com apenas um único medicamento”. 

Interessantemente, a generalidade dos genes identificados como estando envolvidos com o alcoolismo foram encontrados em regiões reguladores do ADN, em vez de regiões de codificação. Isto significa que elas não adicionam diretamente a criação de proteínas, mas controlam como outros genes de codificação são expressos.

O facto de estes 930 genes estarem tão dispersos pelo genoma sugere que adotar uma atitude agressiva perante o alcoolismo poderá requerer uma aproximação holística, em vez de se focar num único processo psicológico. Contudo, os investigadores encontraram que um vasto número daqueles genes estavam envolvidos num único receptor glutamato, e portanto sugere que este poderá ser um bom local para iniciar.

O glutamato é um neurotransmissor que é essencialmente captado por receptores chamados NMDA, que são encontrados nas membranas dos neurónios. Quando estimulados, estes receptores aumentam a sensibilidade dos neurónios, enquanto outros receptores que recebem um neurotransmissores chamado de GABA inibem os neurónios. Assim, os sistema de recompensa neuronal no cérebro estão regulados por um delicado equilíbrio entre a excitação e a inibição, e perturbar este equílibrio pode levar ao desenvolvimento de comportamentos aditivos.

Contudo, é necessário efetuar mais trabalho e investigações para determinar se os genes observados em ratos são os mesmos que afetam o ser humano.

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