Escrever é algo que se aprende na prática, desde a descoberta das letras do alfabeto, ainda na infância, até as técnicas mais avançadas de redação.

Se não tem tempo para ler, nunca irá ter tempo para escrever. Tão simples assim.”, afirmou o escritor Stephen King. Se perguntarmos a qualquer escritor qual é um dos segredos para escrever bem, ele provavelmente dirá que uma boa escrita nasce de bons hábitos de leitura.

O portal Mother Nature Network abordou este tema atravé de uma perspetiva diferente: será que o material que lemos interfere no estilo de escrita que desenvolvemos? Este estudo, promovido pela Universidade de Flórida, analisou os hábitos de leitura de 48 estudantes de MBA. A ideia era descobrir como o tipo de conteúdo que eles consumiam afetava os seus estilos de escrita.

Os investigadores ouviram de cada participante um relato sobre o tipo de leitura que cada um fazia. Esses dados, assim como a carta de apresentação escrita por cada um dos voluntários, foram depois avaliados em programas que buscam entender a complexidade da escrita.

Os resultados revelaram que quem lê revistas académicas e ficção tem mais capacidade de escrever textos complexos em relação a quem lê conteúdos mais populares e publicados em portais de entretenimento. Para os autores da investigação, ainda não se pode afirmar por que uma coisa interfere na outra. O que se sabe é que a forma como escrevemos pode ser uma imitação, possivelmente inconsciente, daquilo que lemos.

Uma das autoras da pesquisa, Yellowlees Douglas, compara a nossa escrita à alimentação: “ Se você tem uma má alimentação, ela vai apareceu no seu corpo, de uma forma ou de outra”, comparou a investigadora. Por outro lado, Andrew Jarosz, professor de Psicologia da Universidade Estadual do Mississippi, afirma que o nosso sistema de escrita é muito complexo e que é cedo para fazer qualquer afirmação sobre o mesmo, especialmente tendo em consideração um pequeno estudo, como o que foi realizado com os alunos de MBA.

Mais explicações

Para Jarosz, tanto leituras complexas podem fazer com que uma pessoa escreva de maneira mais complexa, como é possível que um escritor leia textos mais densos na tentativa de procurar materiais que sejam semelhantes ao conteúdo que ele mesmo produz – ou seja: se o seu estilo de escrita é mais profundo, talvez busque leituras profundas para consumir algo parecido com aquilo que escreve.

O professor explica que a qualidade e a complexidade  da escrita de uma pessoa está relacionada com o nível de inteligência dela e com a capacidade de memorização e de armazenar e processar informações. Por este motivo, muitos especialistas afirmam que a frequência de leitura, assim como o conteúdo do que se lê, são factores que contribuem com a forma como comunicamos.

Para Susan Reynolds, especialista em técnicas de escrita, ler materiais complexos, ricos em detalhe e profundos em ideias, é algo essencial para quem quer se um melhor escritor. Para a investigadora, aspirantes a escritores devem deixar de ver TV e emergir textos de poesia e à literatura ficcional. Reynolds explica que esse tipo leitura ativa áreas cerebrais importantes em termos de fala, visão e audição, que são as regiões que nos ajudam a ler e escrever.

Para além disso, consumir literatura de boa qualidade é algo que nos dá acesso a figuras de linguagem complexas, ricas em detalhes descritivos, metáforas e referências. Ler textos desta natureza, ativa regiões cerebrais que seriam ativadas se o leitor tivesse a experiência daquilo que lê na sua própria vida. Por outro lado, leituras muito superficiais podem transformar-nos em simples descodificadores de informação, enfraquecendo a nossa capacidade de ler conteúdos mais densos, como são muitos materiais literários.

Comentários

You need to login or register to bookmark/favorite this content.

Bookmarked By