O que sabe sobre o espaço? De todas as coisas que vêm à sua mente para responder a esta questão, será que são verdade? Pois saiba que, infelizmente, acreditar em mitos sobre o espaço é mais comum do que imaginamos.

Isto não significa que tudo o que aprendeu na escola estava errado. Talvez uma parte dos equívocos que cometemos ao pensar sobre os planetas, estrelas e a vida no espaço venha dos inúmeros filmes que já vimos sobre essas questões.

Mas, está na altura de derrubar alguns mitos que se formaram na sua mente e entender como as coisas realmente funcionam no universo.

#1 – Podemos explodir no espaço

Um dos mitos mais comuns que ainda acreditamos sobre o espaço, é que se uma pessoa ficar exposta sem proteção no vácuo o seu destino é, inevitavelmente, explodir. A lógica é que, como não existe pressão, o nosso corpo incharia e iria fragmentar-se em vários pedaços. Acontece que o corpo humano é resistente o suficiente para que tal não ocorra. É verdade que incharíamos um pouco, mas tal não afetaria o corpo.

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A prova desta afirmação foi um teste realizado com um fato espacial em 1966. Durante a experiência, ocorreu uma descompressão, o que fez com que o astronauta que testava o traje ficasse inconsciente, mas não explodiu e acabou por ter uma recuperação estável.

#2 – Podemos congelar no espaço

É muito comum nos filmes uma pessoa ficar congelada ou lá perto, no espaço. A cena é clássica e revela o momento de tensão em que o astronauta está desprotegido no lado externo da nave, onde luta para não se tornar num pedaço de gelo.

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Ora, é precisamente o contrário o que acontece no espaço – é possível sobreaquecer. Se recordar as aulas de física sobre correntes de convecção tudo se torna mais fácil: quando a água é colocada sobre um fonte de calor, ela aquece, sobe, arrefece, desce para o fundo e esse cíclo repete-se. Isto acontece porque quando a água quente chega à superfície, perde calor para o ar.

Todavia, o mesmo não acontece com um astronauta no espaço, já que não existe outro elemento que torne possível a transferência de calor. Isto faz com que seja impossível existir uma queda de temperatura suficiente para que um corpo consiga congelar. Assim, o corpo continua a gerar calor como é normal.

#3 O sangue pode ferver e evaporar

Parece lógico pensar que, se o corpo vai sobreaquecer, haverá um ponto em que o seu sangue começará a ferver, mas não é bem assim que funciona. Esta ideia provém do facto de que o ponto de ebulição de um líquido está diretamente relacionado com pressão do ambiente. Quanto mais alta a pressão, mais alto o ponto de ebulição e vice-versa. Assim, é mais fácil que um líquido se transforme em gás quando há menos pressão a atuar sobre ele.

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Por uma questão de lógica, esse tipo de raciocínio faz-nos assumir que no espaço – onde não há pressão – os líquidos ferveriam, incluindo o sangue. Talvez tal faça sentido para boa parte dos líquidos, mas definitivamente não se aplica ao sangue, pois este está protegido por um sistema fechado (o corpo) e ainda tem as veias que o mantém comprimido no seu estado líquido.

#4 – Mercúrio é o planeta mais quente

Desde que Plutão foi destituído da nomeação de planeta, Mercúrio ficou com o título de menor planeta do Sistema Solar. E por estar tão próximo do Sol, também é natural imaginarmos que seja o planeta mais quente. Mas a resposta é totalmente contrária: na verdade é muito frio.

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Inicialmente, é necessário recordar que nos períodos mais quentes, o planeta pode alcançar a marca dos 427º C. Mesmo que esta temperatura se mantivesse durante todo o ano, o planeta vermelho ainda seria mais frio do que Vénus, onde já se registou temperaturas de 460ºC. A explicação para Vénus ser mais quente – mesmo estando mais afastada do Sol – é a sua atmosfera de dióxido de carbono, que retém o calor, enquanto Mercúrio não tem atmosfera.

Para além disso, a órbita e a rotação do planeta fazem toda a diferença na sua temperatura. O pequeno planeta demora 88 dias para dar uma volta completa ao Sol e 58 dias a dar uma volta em torno do seu próprio eixo – estes dois factores mostram-nos que existe tempo que sobra para que uma parte do planeta arrefeça muito, chegando até os 173ºC.

#5 – O espaço tem gravidade zero

Pode não acreditar, mas satélites e os astronautas não tem uma experiência espacial de gravidade 0, afinal, a verdadeira gravidade zero quase não existe no espaço. Mas, por algum motivo, temos a sensação de que os astronautas e os aeronaves estão a flutuar. Isto porque, eles estão tão distantes da Terra que parecem nao ser afetados pela força gravitacional, quando, na verdade, é justamente a presença de gravidade que permite que eles flutuem.

O que acontece é que, ao orbitar a Terra ou outro corpo celestial grande o suficiente para exercer força gravitacional, um objeto está a cair. Mas, como a Terra está constantemente  a mover-se, não ocorrem colisões. A gravidade da Terra atraí o objeto à sua superfície, mas como o planeta está a mov

er-se, o objeto em questão continua a cair – é este fenómeno que dá a sensação de gravidade zero.

Os astronautas também estão em queda dentro da aeronave, mas como eles se movem à mesma velocidade, parece que estão a flutuar. Para simular este fenómeno, algumas cenas de filmes como “Apollo 13” foram filmadas num avião usado para treinar astronautas. A aeronave subiu a 30 mil pés para depois voar em queda livre, resultando em uns espetaculares 23 segundos de gravidade (quase) zero.

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