Não é novidade que os investigadores procuram descobriram caraterísticas que liguem os animais aos humanos. Entre os anos de 2006 e 2007, estudos publicados pela New Scientist revelaram que golfinhos, baleias, chimpanzés, gorilas e elefantes conseguem sentir emoções complexas, que antes só eram atribuídas aos humanos.

O responsável pela investigação, Joan Gonzalvo, do Instituto de Investigação Tethys, observa golfinhos no mar Mediterrâneo desde 2006. Este afirma que, durante uma das suas expedições, presenciou uma cena comovente: um golfinho tentava, repetidamente, erguer o corpo do seu filho morto para a superfície da água.

Joan disse que durante dois dias observou a mãe, que parecia inconformada com a situação e não conseguia abandonar o filho.

Um ano mais tarde, o investigador deparou-se com outro cenário emocionante: um grupo de golfinhos parecia ajudar o filho, de apenas 3 meses, que estava com dificuldades em nadar. Segundo Joan, o grupo estava a nadar de forma irregular e, por mais que tentassem, a cria continuava a afundar-se. Este acredita que a cria estava doente e que, mesmo assim, os golfinhos tentvam prolongar a vida do animal.

É importante lembrar que esse tipo de observação está relacionado à interpretação pessoal e o próprio Joan admite que o seu estudo é apenas especulativo. Porém, a sua visão parece ser reforçada por outras investigações, que revelam que os golfinhos e baleias possuem células cerebrais ligadas à empatia, ao sofrimento e à intuição.

Ingrid Visser, do Orca Research Trust, na Nova Zelândia, observou golfinhos e orcas a transportar as crias mortas. Esta notou um comportamento de luto depois de alguns animais encalharem na praia.

Este mesmo comportamento foi relacionado aos elefantes, que paravam para analisar e reconhecer a carcaça de outros elefantes mortos. O mais curioso é que apenas demonstravam tal interesse quando se deparavam com carcaças de animais da mesma espécie.

Em maio deste ano, uma publicação no “Journal of Mammalogy” compilou um conjunto de análises que apontavam vários casos de animais marinhos comportando-se de formas incomuns. Entre eles, uma orca que tentava erguer acima da superfície uma cria morta, cena semelhante à que Joan Gonzalvo havia observado.

um dos co-autores da análise, Robin Baird, revelou à National Geographic que as orcas parecem vivenciar um período de fortes emoções, assim como os humanos, quando um ente querido falece. De acordo com o investigador, “esses comportamentos incluem as baleias não comerem durante um período de tempo, negligenciando laços sociais e concetrando-se no companheiro morto”. 

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