Insetos são os animais mais comuns no nosso planeta. Já são mais de 1,5 milhões de espécies catalogadas – muitos ainda não foram descobertos -, um número três vezes maior que todos os animais combinados.

Em momentos de fúria, é comum pensar num mundo sem insetos. Assim, numa tentativa de efetuar um exercício hipotético de um mundo sem estas criaturas, vamos analisar as suas consequências.

Benefícios iniciais sem insetos

Casos os insetos desaparecessem da face da Terra, teríamos, obviamente, alguns benefícios inicias ou de curto-prazo. Nós, seres humanos, ficaríamos livres de picadas e as suas nefastas consequências, como alergias.

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Doenças propagadas por insetos, que matam cerca de um milhão de pessoas por ano, acabariam. A mais letal é a malária, que causou 600 mil mortes em 2010, mas há patologias cuja incidência cresce de forma impressionante, como o dengue e zika.

Os agricultores não precisariam de utilizar uma quantidade alarmante de agrotóxicos para proteger as suas colheitas. Não seria necessário, também, recorrer a inseticidas ou replentes.

Problemas permanentes

Os benefícios iniciais são insuscetíveis de compensar os problemas permanentes que teríamos sem insetos no nosso planeta. Goggy Davidowitz, professor de biologia na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, afirma que o mundo iria desmoronar-se sem estes pequenos animais. “Os contras superam as vantagens”, afirma o especialista.

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Cerca de 80% de todas as plantas do mundo são angiospermas ou têm flores. Sem insetos, a reprodução seria diretamente afetada, pois a distribuição do pólen é, geralmente, realizada por abelhas, escaravelhos, moscas e borboletas, entre outros. A vegetação da Terra desapareceria sem esses animais.

Desta forma, boa parte da alimentação humana ficaria comprometida, por depender de plantas com flores. A produção de frutas, legumes e grãos, como arroz e trigo, seria profundamente afetada.

Animais que se alimentam de insetos também se iriam extinguir. Aves, peixes, répteis, anfíbios e até alguns mamíferos estão nesse grupo. Quem se alimenta dos chamados insetívoros também correm o risco de morrer, o que comprometeria a cadeia alimentar e o ecossistema.

A ausência de insetos predadores ou parasitas de determinadas plantas ou animais também prejudicaria o equilíbrio natural, visto que desempenham um papel importante no controlo das populações de outros tipos de pragas, como ervas daninhas.

Com o desaparecimento de animais, árvores e até de seres humanos, até a decomposição seria um problema. Insetos, juntamente com bactérias e fungos, são responsáveis por decompor matéria órgânica.

Extinção não é utopia

A extinção de insetos não é algo fora da realidade. Abelhas selvagens têm sido dizimadas nos últimos anos e a comunidade científica está preocupada com as consequências. Somente sem as abelhas, a raça humana seria extinta em quatro anos, estima os especialistas.

Goggy Davidowitz, professor de biologia na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos da América, garante que o problema da falta de insetos no mundo não está tão distante do quadro real atual. “Este fenómeno não é apenas um pensamento abstrato. Já está a acontecer”, afirma o investigador.

 

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