O ano de 2015 foi palco de uma série de revelações científicas excitantes, como a detecção de evidências de que existe água a fluir na superfície de Marte e a possível identificação de um novo ancestral humano, por exemplo. Pois bem, 2016 ainda está no inicio e as expectativas sobre as descobertas que poderão ser feitas durante o ano já são bem grandes! Veja quatro delas.

1 – Exploração espacial

Um dos maiores eventos astronómicos de 2015 foi, sem dúvida, a passagem da New Horizons da NASA por Plutão. Neste sentido, a meados de 2016, a sonda espacial Juno deverá aproximar-se de Júpiter, o maior planeta do sistema solar, e a intenção é de que o equipamento recolha informações sobre o seu núcleo, mapeie as suas nuvens e procure por indícios de águaao longo da sua superfície.

Além disso, os investigadores da ESA, a agência espacial europeia, também estará a trabalhar na missão ExoMars — focada na exploração de Marte. O projeto envolve enviar um satélite que deve chegar ao Planeta Vermelho em outubro e, uma vez em órbita, o equipamento procurará evidências de metano e outros gases que poderiam indicar a ocorrência de processos em solo marciano.

Além disso, uma sonda espacial também irá conexa ao satélite da ESA — e terá como objetivo pousar de forma segura na superfície de Marte. Este, foi projetado para que os cientistas possam desenvolver formas seguras de aterrar em solo marciano, e servirá de “treino” para o futuro envio de um novo rover ao Planeta Vermelho.

2 – Novas partículas

Depois da confirmação da existência do mediático Bóson de Higgs em 2012, diversas partículas foram descritas — e inclusive ocorreram alguns anúncios sobre a possível descoberta de algumas partículas novas. No entanto, com o regresso do Grande Colisor de Hádrons ao ativo com quase o dobro da sua capacidade no ano passado, existe uma forte expectativa sobre o que 2016 pode reservar para este campo da física.

O LHC é utilizado para acelerar protões (e, de vez em quando, alguns íons) em direções opostas para fazer com colidam e, então, analisar quais as partículas que resultam desse embate. Pois, os investigadores que estão a trabalhar no LHC identificaram a produção de um excesso de pares de fotões e, se a sua descoberta for confirmada, poderá ajudar a validar a teoria da supersimetria.

Essa teoria, caso nunca tenha ouvido falar sobre esta, consiste na melhor explicação que os físicos conseguiram encontrar de momento para descrever o universo subatómico — e poderia servir para desvendar vários mistérios fundamentais da física, como é o caso da matéria negra, por exemplo. Além disso, a teoria da supersimetria estabelece que as partículas elementares formam pares com o que os físicos chamam de “superparceiras”.

Os pares de fotões identificados pelos físicos durante as experiências no LHC foram produzidas numa escala que poderia tornar os novos potenciais blocos básicos que constituem o cosmos quatro vezes mais massivos do que o quark top, ou seja, a partícula mais pesadas de que se tem notícia.

A descoberta da nova partícula ainda não passa de especulação, mas, se for confirmada, além de ajudar a corroborar a teoria da supersimetria, ela também permitiria que muitas outras partículas fossem incluídas no modelo-padrão — ou, ainda, poderia significar que os cientistas estão a lidar com algo muito diferente do que eles estão a imaginar!

3 – Engenharia

É possível que dois projetos chamem à atenção do mundo durante o ano de 2016. Um deles, da SpaceX, foi anunciado por Elon Musk em 2013, e consiste num novo sistema de transporte público de alta velocidade chamado Hyperloop. Basicamente, trata-se de cápsulas de alumínio que se irão mover através de turbinas de ar (que utilizam energia solar para funcionar) em tubos elevados de baixa pressão e equipados com uma série de ímãs.

A meados deste ano, Musk lançará uma competição direcionada para estudantes de engenharia com o intuito de testar diferentes designs para o sistema num circuito de 2 quilómetros que será instalado na Califórnia. A ideia é provar se o projeto é viável, assim, é possível que tenhamos uma boa ideia de como o Hyperloop poderia funcionar no futuro.

O outro projeto de engenharia que poderá ganhar destaque em 2016 é o teste do Bloodhound SSC, um veículo terrestre supersónico que está em a ser desenvolvido na Inglaterra. O carro tem um formato achatado e é equipado com um motor de foguete e outro a jato, e a intenção da equipa é fazer com que o Bloodhound ultrapasse os 1.300 quilómetros por hora — e quebrar o recorde atual de 1.228 km/h, atingidos pelo Thrust SSC em 1997.

4 – Física

A Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein prevê a existência de ondas gravitacionais — ou seja, ondulações no tecido do espaço-tempo que se formam sempre que corpos estelares massivos são acelerados. Exemplos dessa “movimentação” seria a fusão de buracos negros e a ocorrência de supernovas, que consistem nas explosões (e morte) de estrelas supermassivas.

No entanto, o problema que se coloca com as ondas gravitacionais é que ninguém as conseguiu detetar, porque elas são ínfimas. Para ter uma ideia, segundo os físicos, elas provocam perturbações 10 mil vezes menores do que um protão ao longo de uma distância de 4 quilómetros!

Aliás, inclusive existem muitos rumores a circular na comunidade científica de que um anúncio poderá ser feito em breve. Isto porque o LIGO — Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory ou Observatório de Ondas Gravitacionais por Laser —, que assim como o LHC, voltou ao ativo depois de passar por uma série de melhorias.

Tudo indica que os cientistas encontraram indícios interessantes durante as experiências realizadas. Assim, pode ser que este ano alguém seja nomeado a um merecido prémio Nobel de Física — e que mais uma vez fique provado que Albert Einstein estava certo.

Comentários

You need to login or register to bookmark/favorite this content.

Bookmarked By