Nos primeiros relatórios divulgados desde que a Coréia do Norte anunciou o seu teste nuclear subterrâneo, tanto as autoridades dos Estados Unidos quanto as da China anunciaram que não encontraram nenhuma evidência de uma explosão nuclear no ar sobre o local de teste da Coréia do Norte. Num relatório posterior, uma autoridade norte-americana alegou que os cientistas não têm evidências preliminares de uma explosão nuclear.

Mesmo os especialistas não detetando as partículas transportadas pelo ar que, normalmente, resultam de um incidente nuclear, isso não significa que uma explosão nuclear não ocorreu. Esta falta de evidências pode significar uma multiplicidade de coisas:

  • Nenhuma explosão nuclear ocorreu.
  • Uma explosão nuclear ocorreu, mas foi excepcionalmente pequena e/ou parcialmente mal sucedida.
  • A explosão subterrânea foi completamente contida (um evento bastante improvável).
  • A explosão não foi completamente contida, mas o teste foi realizado antes da cratera subterrânea entrasse em colapso para formar uma abertura na superfície do local de teste, libertando partículas radioativas para a atmosfera.

Um dia após o teste relatado, os Estados Unidos enviaram um avião sniffer para testar os céus sobre a Coreia do Norte para a evidência radiológica de um evento nuclear. O avião que realiza esta tarefa é o WC-135 Constant Phoenix, uma aeronave de recolha atmosférica que executa regularmente missões de patrulha para o backup do Limited Nuclear Test Ban Treaty de 1963. De acordo com a Força Aérea dos Estados Unidos, este sniffer possui “dispositivos de escoamento externo para recolher partículas em filtro de papel e um sistema compressor para todas as amostras de ar recolhidas em esferas”. A tecnologia do avião inclui equipamentos de análise que fornece resultados em tempo real, por isso, se partículas radioativas estão presentes no ar, sabe-se imediatamente enquanto o avião voa sobre um local específico.

Então, o que exatamente o WC-135 procura nos seus testes atmosféricos? Este está à procura de radiação ionizante – isótopos radioativos, especificamente vários isótopos de xenon, que são característicos unicamente de um evento nuclear. Estes são produzidos no ato da detonação nuclear, resultante da atividade de fissão, que produz a explosão. Não são apenas explosões atmosféricas que produzem essa precipitação radioativa; testes nucleares subterrâneos e submarinos quase sempre deixam exteriorizar estas partículas no ar. Uma explosão nuclear totalmente contida é um evento raro.

Apesar de que testes atmosféricos não conseguem identificar a localização exata de uma explosão nuclear, podem declarar se a explosão ocorreu realmente ao verificar a relação característica de isótopos de xenônio na atmosfera. Este achado é considerado um impressão digital nuclear.

Outro método de detecção de uma explosão nuclear é por sismógrafo, o dispositivo que monitoriza tremores de terra para identificar e analisar a atividade de terremotos (entre outros eventos que abalam o solo). Na verdade, há toda uma rede de 500 estações sismográficas posicionadas ao redor do mundo, cujo trabalho é relatar incidentes que abalam o solo, e isso inclui qualquer evidência de explosões de bombas. O Detecting Underground Nuclear Blasts, da NPR relata que a atividade sísmica registada no dia do teste indicou uma perturbação do solo que seria o equivalente a um terremoto de magnitude 4,2. Essa magnitude indica uma explosão com cerca de um rendimento de 1 kiloton, que é igual à potência de 1.000 toneladas de TNT.

Descobrir se um evento sísmico é um terremoto ou uma explosão de bomba é relativamente simples. Os cientistas realizam análises de padrões de ondas que podem confirmar com precisão a verificação terremoto-versus-explosão. Em termos muito simplificados, num terremoto, o chão começa a tremer lentamente como placas a deslizar umas contra as outras, e, em seguida, a atividade sísmica faz com que o chão comece a tremer.

Num cenário de explosão, a explosão inicial é extremamente poderosa, e a agitação subsequente do solo cresce progressivamente menos grave. Mas descobrir que é uma explosão e não um terremoto é apenas uma parte do processo; sismógrafos não podem realmente determinar se a explosão foi nuclear ou convencional na natureza. Além disso, é possível “esconder” uma explosão nuclear, por exemplo, detonando-a numa cavidade subterrânea enorme, o que diminui os efeitos sobre o solo, porque a energia da explosão comprime todo gás do buraco. Estas limitações no sistema sismógrafo faz dos testes atmosféricos um componente necessário no sistema de detecção.

Fonte: HowStuffWorks

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