Como sabe, recentemente a NASA revelou ter encontrado evidências claras de que existe água na sua forma líquida em Marte periodicamente, confirmando as suspeitas levantadas pela agência espacial há alguns meses.

As implicações da descoberta são enormes, pois aumentam as chances de que algum dia se encontre formas de vida no Planeta Vermelho. Com a sonda espacial Curiosity por lá, é só uma questão de tempo até que o explorador tropece com uma poça, recolha inúmeras amostras, encontre uma porção de microrganismos marcianos e revolucione a história da Exploração Espacial, não é verdade? Bem, é possível que esteja errado.

Tratado espacial

De acordo com Michele Debczak, do portal Mental_Floss, a Curiosity é terminantemente proibida de recolher amostras de água por uma lei internacional. Conhecida como “Tratado do Espaço Exterior”, esta foi ratificada em 1967 e impede que qualquer sonda, robô, laboratório, astronauta etc. — independente do país de origem — se aproxime de fontes de água para evitar a possível contaminação por formas de vida terrestre.

Segundo Michele, no caso da Curiosity, embora os cientistas da NASA tenham tomado todo o cuidado do mundo — e a esterilizar todos os equipamentos enviados a Marte —, mesmo assim existe a possibilidade de que algum microrganismo tenha escapado com vida até ao Planeta Vermelho.

O processo de esterilização envolve submeter todos os dispositivos que vão para o espaço a uma intensa dose de radiação ultravioleta. Entretanto, como sabe, existem alguns organismos que são resistentes e, apesar de a NASA poder aumentar a potência da coisa até um nível que garanta que qualquer forma de vida seja pulverizada, isso possivelmente danificaria os sistemas internos da Curiosity.

Conforme explicou Michele, para eliminar toda e qualquer forma de vida dos equipamentos, o ideal seria que a agência espacial submetesse todos os componentes ao calor intenso ou a uma forte dose de radiação ionizante — mas os dois métodos acabariam por arruinar o funcionamento dos dispositivos.

Uma alternativa para o futuro seria enviar exploradores dotados de laboratórios equipados com sequenciadores de DNA para a realização de testes que apontariam a presença — ou não — de vida. Outra opção seria a de construir sondas em solo extraterrestre a partir de peças criadas com impressoras 3D, o que reduziria dramaticamente o risco de contaminação.

Em todo caso, se a Curiosity decidisse tornar uma “fora da lei” e recolhesse as amostras, o explorador teria grandes problemas para se locomover pela área onde a evidência de água foi encontrada, já que o terreno da região é bem acidentado e repleto de fortes declives.

Fonte: Mental Floss

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