Num mundo onde a maioria das pessoas parece procurar freneticamente um namorado perfeito ou uma namorada espetacularmente bonita, quem sente atração por alguém considerado fora do padrão estético atual muitas vezes se vê forçado a explicar por que gosta de determinada pessoa.

É possível que entre essas pessoas exista algumas que sejam mais atraídas por indivíduos inteligentes e não propriamente bonitos (de acordo com o quadro estético atual), a isso designamos de sapiossexual.

O que é?

A sapiossexualidade é, como já dissemos, uma atração carnal ou sexual por um indivíduo inteligente e perspicaz.  Quando iniciamos uma conversa, damos pistas à cerca da nossa personalidade, e por vezes tudo o que uma pessoa necessita para conquistar a outra é possuir um diálogo interessante, aberto e intelectual.

É, à medida em que a conversa evolui que o interesse cresce. Depois de algum tempo, quando se percebe as afinidades musicais, literárias e de filosofia de vida, por exemplo, a pessoa em questão passa a ser vista como incrivelmente bonita, quase irresistível, ao ponto de fazer com que os seus olhos brilhem, comece a sentir “borboletas” no estômago e o seu coração acelere.

Inteligência é atraente

A verdade é que todos nós gostamos de pessoas inteligentes, contudo apenas isso não é suficiente para que alguém se considere uma pessoa sapiossexual. Através de um artigo publicado no Alternet, Carrie Weisman explica: “Sapiossexuais não apenas relacionam inteligência com atração; eles relacionam inteligência com atração carnal”.

Weisman explica também que, embora o termo não esteja no mesmo nível de “heterossexual” ou “bissexual”, faz parte, sim, do espetro de orientação sexual.

É normal que o termo cause uma certa estranheza, afinal é um termo bem recente e foi criado em 1998, por Darren Stalder. Ainda assim, ficou conhecido apenas em 2008, quando passou a ser discutido mais amplamente. A popularidade da palavra pode ser atribuída a Kayar Silkenvoice, a escritora que passou a usar o termo em 2005, quando criou o domínio sapiosexual.com.

“Sapiossexual é uma palavra recentemente construída (neologismo) e que tem caído em uso comum, particularmente em redes sociais, em que as pessoas se estão a auto-identificar como sapiossexuais. É a concatenação da raíz latina sapio – de sapiens, que significa sabedoria ou inteligência – e da raíz latina sexualis, no que se refere a preferências sexuais”, explicou a escritora na época.

De acordo com a autora, que conversou com Weisman, uma das coisas mais interessantes a respeito do termo é o fato de que ele é usado como uma definição realmente pessoal, baseada na personalidade de cada indivíduo. Ela explica que o termo representa aqueles que vão além do estereótipo nerd ou geeky – são pessoas cujos instintos sexuais se afloram diante de alguém que consideram inteligente.

Para Silkenvoice, a popularização do termo é também um alívio para quem sempre teve dificuldades na altura de dizer por que sentia atração sexual por determinada pessoa. A autora explica também que a definição de inteligência varia de pessoa para pessoa, mas que, em geral, a pessoa sapiossexual não tem interesse apenas na inteligência académica de alguém, mas também na inteligência de vida do outro e em tudo aquilo que desperta paixão e energia.

A autora acredita que as relações sexuais são outro ponto positivo de quem é inteligente, pois, de acordo com ela, “pessoas inteligentes reconhecem que não precisam ser boas em tudo”. Nesse sentido, explica que, no sexo, são indivíduos que querem aprender sobre o corpo do parceiro e, consequentemente, o ato torna-se intenso, interessante e nada monótono.

Quanto à aparência da outra pessoa, Silkenvoice explica usando o exemplo de quem está acima do peso. Para ela, os sapiossexuais não veem essa característica como repulsiva, pois reconhecem que ela é só um atributo do outro indivíduo.

“Eu tenho um tipo, mas eu também saio com pessoas que não correspondem ao meu ‘tipo’, explica a autora, que complementa: “Eu sou uma dessas pessoas que tentam encontrar alguma coisa para amar em todo mundo que conheço. Então, quando você parte desse ponto, há muitas coisas para considerar atraentes nas pessoas”, finaliza.

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