Apesar da opinião da maioria das pessoas, matemática é uma ciência maravilhosa, capaz de hipnotizar-nos com todos os seus conceitos. A mesma matemática que (provavelmente) odiou com todas as suas forças na escola tem uma teoria bizarra e ousada, que talvez ainda não conheça: a ideia dos seis graus de separação.

De acordo com esta, qualquer pessoa no mundo pode conectar-se com todas as outras em somente seis passos e com a ajuda de apenas cinco outras pessoas.

Como funciona?

Vamos ao raciocínio: presumindo que cada uma dessas cinco pessoas conhece pelo menos 44 pessoas e que essas 44 pessoas conhecem outras 44, chegamos à prova numérica da teoria bizarra: em apenas seis passos, toda essa gente estabelece conexões com 7,26 mil milhões de pessoas, o que é basicamente um número maior do que a população mundial atual.

Para desenvolver o tema, Derek Muller resolveu investigar a teoria a fundo num vídeo bastante curioso que foi divulgado recentemente pelo Science Alert. No vídeo explica que essa teoria foi elaborada em 1929, com base numa experiência que, na época, foi designada de “correntes”. A ideia era encontrar pessoas que participassem num desafio e mostrar que não poderiam fazer essas conexões a partir de cinco outras pessoas.

Em 1960, a ideia foi finalmente testada de modo mais científico, quando o psicólogo Stanley Milgram, de Harvard, enviou 300 pacotes para pessoas de Nebraska e Boston, nos EUA, pedindo para que os usassem nas suas redes de contato para chegarem a um destinatário específico – um corretor da bolsa que morava em Boston.

Essas pessoas foram instruídas a não enviarem o pacote diretamente ao destinatário final. Em vez disso, elas deveriam mandar a algum conhecido próximo, com a instrução de que esse conhecido fizesse o mesmo exercício. A ideia era alcançar a alguém que conhecesse diretamente o corretor da bolsa. Dos 300 pacotes, apenas 64 chegaram ao seu destino final, e a média de conexões realizadas foi de 5,2.

Muller decidiu investigar melhor essa experiência e descobriu que, dos 300 pacotes originais, 100 foram enviados para pessoas que já viviam em Boston, onde o destinatário final também vivia, e 100 foram enviados a pessoas que também trabalhavam com o mercado de ações. Desta forma, apenas 100 pacotes foram enviados a pessoas aleatórias que não viviam em Boston ou não trabalhavam como corretoras.

Desses 100 pacotes aleatórios, apenas 18 chegaram ao destino final, de modo que, segundo Muller, esse é o número que pode indicar a evidência dos seis graus de separação.

O problema matemático voltou a ser estudado alguns anos mais tarde por um grupo de estudantes que fez uma investigação um pouco mais específica: “Seis graus de Kevin Bacon”. O objetivo, claramente, era descobrir se entre os estudantes algum poderia chegar ao ator que deu nome à pesquisa. Os estudantes recolheram uma grande quantidade de material, de modo que esses dados serviram para os estudos sociais a respeito da interconexão entre os grandes atores e atrizes de Hollywood.

Nesta experiência, ficou claro que a relação dos seis graus de separação parece realmente existir. A diferença é que, ao contrário do que sugeriu o primeiro estudo sobre o tema, o ideal é que cada pessoa nomeie pessoas aleatórias do seu convívio, e não pessoas com as quais se têm uma relação mais próxima de amizade ou parentesco.

Para Muller, a modernidade parece interferir nessas conexões, afinal estamos cada vez mais expostos a ambientes online e, dessa forma, o investigador acredita que os seis graus podem diminuir com o tempo.

Comentários

You need to login or register to bookmark/favorite this content.

Bookmarked By