Muito se fala na tradicional família cristã com base nos escritos bíblicos, mas como será que essa família realmente seria se levássemos as escrituras sagradas de modo literal, sem nenhum tipo de interpretação ou ponderação?

Sabia, por exemplo, que, se um homem morresse sem ter tido filhos com a sua esposa, o irmão do falecido tinha como obrigação engravidar a cunhada viúva? No livro de Mateus, Capítulo 22, conhecemos a história de uma mulher que se casou com um homem e não teve descendentes. Por isso,  é lhe permitido casar com um irmão desse rapaz – que também veio a falecer. Dessa forma, ela acabou por se casar com sete irmãos, sem nunca ter descendentes.

Até mesmo a poligamia era permitida. No segundo livro de Samuel, Capítulo 12, Deus fala através do profeta Natã sobre as esposas (no plural) de Davi, dizendo que se não forem suficientes ele providenciaria mais. E no primeiro livro de Reis, no Capítulo 11, ficamos a saber das 700 esposas e 300 concubinas de Salomão. São mil mulheres para um só homem!

Outro ponto polémico refere-se à posse de escravas. No Capítulo 21 do Êxodo, ficamos a saber que, se um homem vender a sua filha como escrava e ela não agradar o comprador, deverá ser libertada. Alguns defendem que esse “agrado” refere-se ao sexo. Para já não falar de Ló, que teve relações sexuais com as suas próprias filhas descritas em Gênesis, Capítulo 19? Do incesto, surgiram os povos moabitas e amonitas.

E como ficam os casamentos modernos?

Caro leitor: a informação em cima e infra dita não é da autoria do Curiosityflux todas essas são palavras da psicóloga dos EUA.

Quem fez as análises acima foi Valerie Tarico, psicóloga e escritora de Seattle (EUA). Esta defende que, apesar das citações acima, os líderes cristãos foram contra a prática da poligamia, do incesto e da escravidão por muito tempo. Hoje em dia, a própria moral humana (e não necessariamente a Bíblia) condena tais atos.

Muitos dizem que a visão do Antigo Testamento é muito diferente do que aparece no Novo Testamento, porém, para Valerie, essa “continuação” bíblica serve para reforçar alguns dos conceitos anteriormente escritos. Por isso, a psicóloga acredita que até mesmo temas ainda vistos como tabus um dia acabarão por ser aceites pelos cristãos mais fervorosos.

A psicóloga acredita que os novos arranjos familiares, um dia, também serão vistos como “casamento” pelos religiosos mais fervorosos

Seria essa a vontade de Deus?

Valerie defende que a relutância em aceitar a modernidade das relações está no facto de que a Bíblia teoriza a manutenção do status quo, ou seja, a sociedade não deveria alterar em nada a cultura imposta por homens brancos heterossexuais ao longo dos últimos séculos. Entretanto, esta também faz uma provocação, dizendo que, no final, qualquer tipo de relação será permitida e que ela ainda será vista pelos cristãos como “a vontade de Deus”.

 

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