A comunidade científica já tinha demonstrado que a doença do Alzheimer podia ser transmitida entre os animais. Todavia, recentemente foi publicado um estudo na revista Nature que sugere o impensável: a doença pode mesmo ser transmitida entre humanos.

Esta hipótese foi levantada durante um estudo aos cérebros de oito pessoas que morreram com Creutzfeldt–Jakob (CJD). Os indivíduos estudados contraíram a doença depois de décadas a realizar um tratamento com hormonas de crescimento que foram retiradas de glândulas de cadáveres humanos. Seis dos cérebros desenvolveram, além das lesões provenientes da CJD,  um tipo de lesão cerebral com o nome “angiopatia amiloide cerebral” que é associada à doença do Alzheimer.

“Esta é a primeira prova da real transmissão da patologia amilóide.” Quem o diz é o neurocientista John Hardy da Universidade de Londres, que acrescenta que esta situação “é potencialmente preocupante.”

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Ou seja, a confirmar-se, esta descoberta levanta a possibilidade de milhares de pessoas, que já fizeram tratamentos com hormonas de crescimento humanas, correrem o risco de desenvolver Alzheimer.

Não existe, contudo, qualquer sugestão de que a doença possa ser transmissível através do contacto normal com os pacientes. Apesar disso, alguns cientistas estão preocupados com as implicações que esta descoberta possa ter. É que existe a hipótese de o Alzheimer ser transmitido por outras vias através das quais a CJD é transmitida, como por exemplo, as transfusões sanguíneas ou instrumentos cirúrgicos contaminados.

Desde 1958 até 1985, altura em que foi proibida a injeção de hormonas de crescimento humanas, cerca de 30.000 pessoas realizaram este procedimento médico, na sua maioria crianças que sofriam de problemas de crescimento. Cerca de 226 pessoas morreram pela doença da CJD. Só em França foram registados 119 casos, na Grã-Bretanha 65  e nos Estados Unidos 29. Os números podem vir a aumentar pois a CJD tem um longo período de incubação.

Os autores deste estudo querem agora realizar testes em 20 ou 30 pessoas que morreram em França depois de terem sido infetadas com hormonas de crescimento.

Fontes: Nature e Observador

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