Um novo estudo de uma equipa internacional de cientistas demonstra que os recursos restantes de combustíveis fósseis do planeta seriam suficientes para derreter quase toda a Antártida se forem queimados, levando a um aumento de 50 ou 60 metros no nível do mar. Isto é o mesmo que colocar vastas áreas altamente povoadas do planeta, onde vivem mais de mil milhões de pessoas, debaixo da água.

“Os nossos resultados revelam que, se não queremos que a Antártida derreta, não podemos continuar a retirar o carbono dos combustíveis fósseis do solo e apenas atirá-lo para a atmosfera como CO2, como temos feito constantemente”, afirma Ken Caldeira, do departamento de Ecologia Global da Universidade de Sanford, nos EUA.

“A maioria dos estudos anteriores sobre a Antártida centraram-se na perda da Camada de Gelo da Antártida Ocidental. O nosso estudo demonstra que a queima de carvão, petróleo e gás também traz o risco de perda da Camada de Gelo do Leste, que é muito maior”.

Um complexo conjunto de fatores irá determinar o futuro da camada de gelo – que já iniciou o processo de diminuição -, incluindo o efeito estufa causado pelos gases na atmosfera, o aquecimento oceânico adicional perpetuado pelo aquecimento da atmosfera, e os possíveis efeitos contraditórios de neve adicional.

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“É muito mais fácil prever que um cubo de gelo numa sala aquecida vai derreter, eventualmente, do que dizer precisamente o quão rápido ele vai desaparecer”, compara Ricarda Winkelmann, uma das autoras do estudo.

A equipa utilizou um modelo para estudar a evolução da camada de gelo ao longo dos próximos 10.000 anos, já que o carbono persiste na atmosfera durante milênios depois que é libertado. Eles descobriram que a camada de gelo da Antártida Ocidental ficará instável se as emissões de carbono continuarem nos níveis atuais nos próximos 60 a 80 anos, o que representaria apenas de 6% a 8% dos 10 triliões de toneladas de carbono que poderiam ser libertados se usarmos todos os combustíveis fósseis acessíveis.

Danos irreversíveis

“O manto de gelo da Antártida Ocidental já pode ter entrado num estado de perda de gelo imparável e irreversível, seja como resultado da atividade humana ou não. Mas se quisermos manter cidades como Tóquio, Hong Kong, Xangai, Calcutá, Hamburgo e Nova York como nosso património no futuro, precisamos de evitar que isso aconteça na Antártida Oriental”, afirma Anders Levermann, co-autor do estudo, do Instituto Postdam para Investigação do Impacto Climático, na Alemanha.

A equipa descobriu que, se o aquecimento global não ultrapassar a meta dos 2 graus Celsius frequentemente citada pelos formuladores de políticas climáticas, o derretimento da Antártida faria com que o nível do mar subisse apenas alguns metros e permanecesse administrável.

Mas um aquecimento maior poderia reformular os mantos de gelo orientais e ocidentais de forma irreparável, de uma maneira que cada décimo de grau aumentaria o risco de perda total e irreversível de gelo da Antártida.

Este é o primeiro estudo a modelar os efeitos da desenfreada queima de combustíveis fósseis na totalidade do manto de gelo da Antártida. O estudo não prediz fortemente o aumento das taxas de perda de gelo para este século, mas descobriu que as taxas médias de elevação do nível do mar ao longo dos próximos 1.000 anos poderia ser de cerca de 3 centímetros por ano, levando a cerca de 30 metros de elevação do nível do mar até ao final deste milénio.

Ao longo de vários milhares de anos, o aumento do nível do mar poderia chegar a até 60 metros. “Se nós não pararmos de poluir o  nosso céu, lugares que agora são o lar de mais de um bilião de pessoas ficarão debaixo de água”, prevê Caldeira.

Fonte: Phys

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