Uma espécie humana extinta recém-descoberta pode ser a mais primitiva da nossa espécie, com um cérebro do tamanho de uma laranja. Mas, apesar do seu pequeno tamanho, esses humanos realizavam enterros com rituais complexos para os seus mortos, é o que dizem os investigadores.

Esta espécie recém-descoberta na África do Sul, chamada Homo Naledi, possuía uma mistura incomum de características, tais como pés adaptados para a vida na terra, mas as mãos adequadas para uma vida nas árvores, que podem forçar os cientistas a reescrever os seus modelos sobre os primórdios da humanidade.

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Embora os seres humanos modernos sejam a única linhagem humana viva hoje, outras espécies de humanos já caminharam pela Terra. Estas linhagens extintas eram membros do género Homo, assim como os humanos modernos são. Os primeiros espécimes humanos encontrados possuem cerca de 2,8 milhões de anos.

Embora os investigadores ainda não tenham certeza do quão longe essa espécie data, é a mais nova adição ao género Homo. “É uma descoberta muito excitante”, disse Ian Tattersall, paleoantropólogo no Museu Americano de História Natural, que não participou na investigação mas está eufórico com a descoberta.

Dois espeleólogos, Rick Hunter e Steven Tucker, descobriram os novos fósseis numa caverna conhecida como Rising Star, localizado no Berço da Humanidade, a cerca de 50 quilómetros a noroeste de Joanesburgo, na África do Sul.

Os fósseis foram recuperados em duas missões em 2013 e 2014 feitas pela Rising Star. Os ossos jaziam em câmaras agora chamadas Dinaledi, que significa “muitas estrelas”, localizadas 90 metros a partir da entrada de Rising Star.

Os cientistas recuperaram mais de 1.550 ossos e fragmentos de ossos. Estes representam pelo menos 15 indivíduos diferentes, incluindo crianças, jovens, adultos e idosos. Este é o mais completo fóssil hominídeo achado na África.

Uma mistura estranha

Em média, o Homo Naledi tinha apenas 1,5 m de altura e pesava cerca de 45 kg. Tinha um pequeno cérebro, com apenas cerca de 500 centímetros cúbicos, tornando o órgão quase tão grande como uma laranja comum. É bem menor do que o cérebro humano moderno, que tem cerca de 1.200 a 1.600 cm cúbicos, mas comparável em tamanho ao cérebro do Australopithecus Sediba.

O Homo Naledi apresenta uma surpreendente mistura de traços de hominídeos primitivos e modernos. Por exemplo, “as mãos sugerem capacidades do uso de ferramentas,” o co-autor Tracy Kivell da Universidade de Kent, na Inglaterra, disse em comunicado. Muitos cientistas acreditam que o uso de ferramentas acompanhou um impulso no tamanho do cérebro, mas o cérebro do Homo Naledi era pequeno.

Além disso, os pés eram praticamente indistinguíveis dos humanos modernos. Isto, juntamente com as suas longas pernas, sugerem que a espécie foi adaptada para uma vida na terra envolvendo longas caminhadas. Contudo, os dedos eram extremamente curvados, mais curvados do que qualquer outra espécie de hominídeo primitivo, o que aponta para uma vida adequada para subir em árvores.

Além disso, os dentes pequenos, delgados e mandíbulas características do crânio do Homo Naledi são semelhantes aos dos primeiros membros conhecidos do homo, mas os seus ombros são mais semelhantes aos dos macacos.

Rituais de morte

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Curiosamente, esta espécie de humanos primitiva pode ter eliminado os seus mortos repetidamente, um comportamento ritualizado previamente confirmado apenas nos seres humanos modernos.

“Homo Naledi é um membro primitivo de nosso género, talvez o mais primitivo que já vimos, mas tinha a capacidade mental e comportamental de eliminar mortos de uma forma ritual”, disse Tattersall.

Dinaledi é uma parte isolada do sistema de cavernas Rising Star que nunca foi aberta diretamente para a superfície e atraia apenas alguns visitantes acidentais. Dos mais de 1.550 ossos e fragmentos de ossos recuperados de Dinaledi até agora, apenas cerca de uma dúzia não são hominídeos. Estes incluem os restos de pequenos animais como pássaros e ratos.

Não há nenhuma evidência de que água ou lama fluíam para o local levando esses ossos, nem existem marcas de mordidas sugerindo que predadores ou carniceiros traziam os restos mortais para a câmara, nem marcas de corte que sugerem canibalismo. Em vez disso, sugerem os investigadores, esses restos mortais foram trazidos a este ponto remoto intencionalmente ao longo do tempo. É a primeira vez que tal comportamento com os mortos foi visto num hominídeo tão primitivo.

A idade dos fósseis permanece incerta, uma vez que a câmara não possui muitas das características que os cientistas normalmente dependem para datar fósseis. Como tal, os cientistas ainda não podem dizer onde o Homo Naledi se encaixa na árvore genealógica humana. Dependendo da sua idade, poderia ser um ancestral direto do Homo sapiens, ou o ancestral das espécies que deram origem ao Homo sapiens.

Fonte: LiveScience

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