Muitos estão convencidos de que a cara esboça um sorriso, outros tantos acreditam que não é bem assim. No entanto, a verdade é que já à muitos séculos que existe um forte debate numa das maiores obras-primas de Leonardo da Vinci: afinal, a Mona Lisa está ou não está a sorrir? Pois, de acordo com Nick Squires, do The Telegraph, investigadores da Universidade Sheffield Hallam, na Inglaterra, acreditam ter desvendado o mistério a respeito da enigmática expressão da mulher do quadro.

Segundo Squires, a equipa descobriu que, dependendo do ângulo no qual o quadro é observado, a impressão de que a Mona Lisa está a sorrir — ou não — fica mais evidente. A equipa chegou a essa conclusão depois de estudar outra obra atribuída a da Vinci, um quadro chamado “La Bella Principessa”, que traz o retrato da filha de um nobre milanês, no qual os cientistas descobriram algumas pistas sobre como o artista criou as pinturas.

Ilusão de óptica

Conforme explicou Squires, nos dois quadros de da Vinci, quando olhamos para as pinturas de frente, a impressão que temos é a de que as mulheres estão sérias. No entanto, ao observar as imagens a partir de determinado ponto, tanto a Mona Lisa como a jovem nobre parecem ter um sorriso tímido no rosto. Além disso, o elemento no qual fixamos a nossa atenção também afeta a nossa percepção sobre a expressão das personagens.

Os investigadores descobriram que, quando fixamos a nossa atenção nos olhos das personagens, a impressão que temos é a de que os lábios se curvam delicadamente para cima, formando um sorriso. Por outro lado, se olharmos diretamente para as bocas das mulheres, a sensação é a de que elas parecem estar sérias.

Segundo Squires, os responsáveis pela investigação acreditam que essa inteligente “ilusão de óptica” foi criada graças à técnica de pintura utilizada por Leonardo da Vinci conhecida como sfumato, que o artista empregou para incluir sombras e variações sutis de cor ao redor da boca das mulheres dos quadros.

Os cientistas organizaram uma série de experiências nos quais vários participantes deviam olhar para as duas pinturas a partir de determinadas distâncias e ângulos. Além disso, os investigadores também mostraram versões digitalizadas das obras nas quais as imagens apresentavam diferentes níveis de foco, assim como figuras em que a Mona Lisa e a Principessa apareciam com os olhos e as bocas cobertas.

Os cientistas concluíram que, quanto mais desfocadas eram as versões dos quadros que eles apresentavam, maior era a impressão que os voluntários tinham de que as mulheres estavam a sorrir. Curiosamente, quando os cientistas exibiram as pinturas com os olhos e bocas cobertas aos participantes, eles foram incapazes de identificar se as expressões das personagens dos quadros eram sérias ou não.

Conforme explicaram, Leonardo da Vinci explorou as diferenças entre a visão periférica e a visão direta dos observadores para conseguir o curioso efeito nas duas obras. Assim, quando tentamos ver o sorriso de Mona Lisa, este desvanece diante dos olhos — e a expressão enigmática da personagem foi criada propositalmente pelo mestre italiano.

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