Quando sonhamos, os nossos olhos tendem a mover-se rapidamente de um lado para outro, sendo esta fase conhecida como movimento rápido dos olhos (Rapid Eye Movement). Tem sido desde há muito tempo sugerido que os movimentos dos olhos podem estar relacionados com fenómeno das pessoas visualizarem determinados objetos ou acontecimentos nítidamente à medida que sonham. Todavia, mesmo os fetos e os indivíduos que nasceram sem visão também experiênciam o fenómeno REM, mesmo sem nunca terem visto algo durante a vida.

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Um novo laboratório de investigação, criado com o objetivo de estudar este acontecimento, revela que, durante o sono REM, o padrão de sinalização no cérebro é semelhante, quando se vê, ou imagina, uma nova imagem. Os investigadores da Universidade de Tel Aviv descobriram que houve uma explosão de atividade nos neurónios que ocorreu logo após os olhos das pessoas piscarem. Esta atividade refletiu uma mudança de conceito (não processamento de imagem) durante o sono. Os cientistas demonstraram que esta era a mesma atividade cerebral que ocorre em pacientes acordados quando lhes foram mostradas fotos, especialmente aquelas relacionadas à memória.

“Cerca de 0,3 segundos após a imagem ser exibida, esses neurónios estouram – tornam-se vigorosamente ativos”, Dr. Yuval Nir, co-autor do estudo publicado na revista Nature Communications, explicou à BBC News. “Isso também acontece quando as pessoas simplesmente fecham os olhos e imaginam essas fotos, ou estes conceitos.”

Isto é importante, visto que poderia de alguma forma explicar por que as pessoas cegas ainda passam por sono REM. O movimento do olho pode não significar que alguém está realmente a digitalizar ou explorar o ambiente de um sonho nítido, mas sim a passar para a próxima cena do sonho. Por exemplo, uma pessoa cega irá percepcionar um episódio da vida social através do som e emoções, e estas irão, obviamente, variar de um sonho (ou cenas) para o outro. Então, quando as cenas mudam num sonho, os seus olhos piscam, da mesma forma que acontece com as pessoas que conseguem ver.

A investigação foi realizada ao longo de um período de quatro anos, usando dados recolhidos de pessoas que sofrem de epilepsia. Os pacientes tinham eletrodos implantados no cérebro para tentar ajudar a gerir as suas apreensões, permitindo ao Dr. Nir a oportunidade perfeita para medir a atividade de cerca de 40 neurónios individuais – principalmente dentro do lobo temporal medial localizado na parte inferior do cérebro – enquanto os voluntários dormiam.

É complicado saber, exatamente, o que os pacientes sonharam realmente, bem como a atividade neuronal relacionado com o que eles estavam a “visualizar”, visto que não foram acordados para perguntar com o que estavam a sonhar.

“Mas temos a certeza de que o cérebro está a alternar entre diferentes imagens mentais,” Dr. Nir em declarações à New Scientist. “Toda a vez que move os seus olhos, forma-se uma nova imagem na mente”.

Fonte: NewScientist, Iflscience

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