Na edição desta semana da conceituada revista científica Nature, investigadores do Japão e Estados Unidos da América publicaram um artigo conjunto em que revelam que foram capazes de mapear todo o código genético do polvo-da-Califórnia (Octopus bimaculoides).

O molusco foi o alvo do estudo por ser considerado o invertebrado mais inteligente conhecido, e os cientistas queriam descobrir o que faz desses animais criaturas tão diferentes. Estes são capazes de aprender algumas habilidades simples apenas através da observação, como abrir uma tampa, por exemplo. No entanto, o seu cérebro está organizado de forma completamente diferente da dos vertebrados.

O genoma do polvo é o maior entre os invertebrados já sequenciados, como moscas, caracóis e ostras. Possui 33 mil genes (contra 27 mil dos seres humanos), sendo que aproximadamente 3,5 mil deles não foram encontrados em nenhum outro animal. Isso fez com que alguns tabloides sensacionalistas em todo o mundo clamassem que os polvos poderiam ser formas de vida alienígenas, quando, na verdade, apenas sofreram um processo evolutivo diferente.

“Polvos das cavernas”

O que aconteceu, de acordo com os investigadores, foi uma organização diferente nos polvos em relação a outros invertebrados ao longo do seu processo evolutivo. Assim, tiveram uma grande expansão dos genes responsáveis pelo desenvolvimento das suas células nervosas. Até então, os cientistas acreditavam que era algo associado apenas à duplicação do genoma, como aconteceu com alguns vertebrados, entre eles o ser humano.

Graças a essas células nervosas, os polvos possuem cerca de 500 milhões de neurónios – seis vezes mais que um rato – distribuídos pelos tentáculos, o que permite a esses animais contrair a sua musculatura para formar “cotovelos” ou “ombros”, dependendo da sua necessidade. Também são capazes de decorar as tocas com restos de presas, de forma semelhante ao que os ancestrais do homem moderno faziam quando viviam em cavernas.

Além disso, as ventosas espalhadas ao longo dos tentáculos podem não só segurar e manipular um objeto, como também serviriam para sentir o paladar. Isto acontece graças às protocaderinas, genes que regulam o desenvolvimento e a interação entre os neurónios. O polvo-da-Califórnia possui 168 desses genes, o que é mais do que o dobro da média dos mamíferos.

Comentários

You need to login or register to bookmark/favorite this content.

Bookmarked By