A felicidade é o objetivo de quase todos os seres humanos. De acordo com recentes investigaçoes, a ideia de objetivar uma vida com mais momentos de felicidade que tristeza está bem cunhado nas nossas culturas (ocidentais) – e não uma máxima da nossa espécie. Em alguns lugares, inclusive, a felicidade é evitada.

Na cultura ocidental, temos uma tendência para acreditar que uma pessoa que age de forma alegre, está muito bem. Por outro lado, é realizado vários estudos psicológicos para aqueles que são cronicamente infelizes, pois acredita-se que essas pessoas têm algum problema.

Entretanto, noutras culturas, existe uma divergência no que respeita à importância e ao significado da felicidade. Se o leitor é pessoalmente feliz, isso significa, talvez, que está focado na própria felicidade e estado mental. Por outro lado, pode significar também que está (pelo menos um pouco) menos envolvido com a promoção de um “bem maior”. As pessoas no Leste da Ásia, por exemplo, por vezes, interpretam demonstrações de felicidade totalmente impróprias.

Um estudo realizado por um grupo de investigadores da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia, observou a forma como a felicidade era vista e interpretada pelas pessoas. Os resultados são surpreendentemente contraditórios à nossa opinião comum sobre a busca incessante pela felicidade.

felicidade

Definindo felicidade como a satisfação proveniente da ausência de emoções negativas, cientistas observaram não apenas o quão felizes as pessoas eram – mas também como viam as outras felizes. Os resultados sugerem que muitos indivíduos estavam completamente contrários a essa ideia.

Os investigadores descobriram a existência de diversos tipos de felicidade. A felicidade que sente ao subir na pirâmide laboral, por exemplo, é diferente daquela que sente quando chega a casa e é saudado pela sua família, que lhe esperava ansiosa. Na primeira situação, a ideia de felicidade é incrivelmente “egoísta” e individualista. Esse é o problema para algumas culturas.

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Para a maioria dos ocidentais entrevistados, a felicidade era vista como algo que poderia trazer problemas. Por outras palavras, se alguém está muito feliz, ela está a pedir para que algo de mau aconteça. Entre os orientais, esta ideia era totalmente familiar, e quase todos entrevistados (muito mais que nos casos dos ocidentais) aprovavam ou conheciam alguém que aprovasse a ideia. Para este tipo cultural, a felicidade é algo que merece preocupação, suspeitas, e que pode causar problemas.

Esta teoria de aversão à felicidade é uma regra no Taoísmo, por exemplo. Os praticantes acreditam que a felicidade eventualmente se inverte, a fim de manter o que chamam de “balanço”. Na Coreia do Sul, a felicidade é encarada como uma certeza de que algo oposto acontecerá no futuro, e no Irão existe inclusive um dito popular que diz, por outras palavras, “Risos altos acordam a tristeza”. Já no cristianismo, está tudo bem com a felicidade, desde que não seja individualista. Se está a fazer o bem a alguém – está tudo bem. Por outro lado, se estiver a ser egoísta, pode estar a aproximar-se daquilo que os praticantes chamam de “inferno”.

Para além de tudo isso, algumas culturas acreditam que ser feliz faz de si uma pessoa moralmente corrupta. Muitos grupos islâmicos pregam que a felicidade extrema é algo a ser evitada, já que a felicidade verdadeira vêm apenas de Deus, e não por fatores mundanos.

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